O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual
Enviada em 20/10/2020
No documentário “Cowspiracy”, aborda-se o impacto da criação desenfreada de gado e as consequências ao meio ambiente. Correlacionado ao filme, no Brasil, a produção pecuária é intensa e o consumo de carne também. Nesse sentido, a carne possui um destaque social, o custo liga-se ao poder aquisitivo, isso é um sinal do ideal cultural estabelecido no país de que come quem pode pagar, esse fundamento contribui para o avanço da problemática, pois a exagerada produtividade de animais para abate gera problemas graves ao meio ambiente.
A priori, cabe destacar que segundo o Greenpeace Brasil, a pecuária é responsável por pelo menos 60% do desmatamento da floresta amazônica, logo, é imprescindível como a proteção da Amazônia é dependente da diminuição da exploração da área para criação de animais de corte. Além disso, segundo o mesmo estudo, ficar apenas um dia sem comer carne é o mesmo que poupar água suficiente para o uso diário de nove pessoas, sendo assim, a água também é preservada quando se modifica os hábitos de consumo de proteína animal.
Ademais, vale ressaltar que os hábitos fazem parte da cultura de um povo, para a Filosofia, a cultura é o conjunto de manifestações humanas moldadas a partir de uma combinação entre a interpretação pessoal da realidade e exigências globais. Elas diferem do comportamento natural do homem e podem ser transformadas a partir de percepções de valor. Nesse panorama, a mudança é uma tarefa difícil que exige a disposição dos indivíduos relacionados a sociedade, destaca-se a relevância social da carne e a importância de ressignificar o valor desse alimento no consumo constante e diário.
Portanto, pode-se inferir que o consumo de carne como questão social tem sua importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual e urge que o Governo Federal, crie um projeto de lei entregue a Câmara de Deputados, um modo a possibilitar ampliação de iniciativas como a “Segunda sem carne’’ por meio de divulgação via redes sociais e grande mídia, além de também integrar o programa no currículo nutricional e alimentar das escolas brasileiras. Dessa forma, incentivar a tomada de novos costumes e assim, diminuir os impactos do consumo exacerbado, e mudar a realidade retratada pelo documentário.