O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual

Enviada em 20/10/2020

A deglutição de alimentos vai além de uma questão de saciar a fome. Nesse lógica, a escolha sobre o que se alimentar tem implicações éticas, culturais e ambientais. Apesar disso, há um diminuto diálogo sobre os aspectos negativos do consumo de carne na sociedade atual, como as condições precárias dos “animais de corte” e o extermínio de habitats. Com efeito, a mazela evidencia-se, sobretudo, pela suposta hegemonia humana, o que, consequentemente, acarreta severos danos ambientais.

Em primeiro lugar, a titulação dos animais como seres inferiores é uma problemática. Acerca disso, Peter Singer, filósofo utilitarista, descreve em seu livro Libertação Animal o pensamento que contempla, majoritariamente, a relação entre os homens e os outros organismos, denominada especismo - o qual a raça humana tem o imaginado direito de explorar as demais espécies. Nesse sentido, essa interpretação reflete-se no uso dos animais como um meio para alcançar status na sociedade, devido a nem todos serem capazes financeiramente de adquirir carne. Posto isso,tal situação pode ser comprovada por uma pesquisa divulgada pelo jornal BBC, que foram consumidas, em 2017, 330 milhões de toneladas de carne no mundo. Destarte, o especismo é responsável pela manutenção do subjugo sobre os animais.

Por conseguinte, a ingestão de carne,como efeito,majoritariamente, é autora de danos à natureza. Desse modo, o documentário “Cowspiracy” retrata como a criação de gado afeta a disponibilidade hídrica do mundo, o que conforme a direção audiovisual, a produção de 1 quilograma de carne bovina exige mais de 165 metros quadrados de pasto, além de 15.500 litros de água. Ainda nessa lógica, o hiato entre refeições ponderadas de carne e a realidade mundial ,hoje, gera uma alarmante devastação do meio ambiente. Logo, repensar os hábitos de nutrição é também proteger ecossistemas , sendo assim, inaceitável o tratamento passivo da questão pela comunidade social.

Portanto, a fim de alcançar o desfecho do especismo e o consumo prudente da carne, é necessário afrontar a problemática. Dessa maneira, a mídia deve promover ações de “merchandising” social - diálogos com fins educativos - por meio da inserção de temas relacionados ao debate sobre essa temática em telenovelas, filmes e peças de teatro. Enquanto isso, fertilizar uma reflexão da população mundial, com o intuito de valorizar os animais. Espera-se, como resultado, que a reflexão da comunidade sobre o tema promova manifestações sociais que conscientizem o povo sobre uma potencial redução da aquisição de carne. Nessa perspectiva, os ninhos sociais estudados por Singer podem ser algo passado na história, como, também, as informações perigosas narradas no longa-metragem.