O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual

Enviada em 19/10/2020

Hodiernamente, a produção de carne é quase cinco vezes maior do que no início dos anos 1960, em decorrência do aumento da população global aliado à melhora das condições socioeconômicas nos países em desenvolvimento. Porém, esse ritmo de crescimento tornou-se insustentável, visto que a pecuária é umas das indústrias que mais agride o meio ambiente, por isso é evidente a necessidade dos indivíduos repensarem os hábitos de consumo.

Segundo a Organização das Nações Unidas - ONU -, em 2050, o planeta terá nove bilhões de habitantes, se a criação de rebanhos crescer na proporção da demanda, baseado nos padrões de consumo atual, o resultado será a destruição total das florestas, da água e do solo. Ademais, já observa-se esses impactos sobre a natureza, no Brasil a agricultura animal é responsável no mínimo por 60% do desmatamento da floresta amazônica e expressiva parte das emissões dos gases de efeito estufa. Ainda, outro problema de sustentabilidade é a grande quantidade de água que os rebanhos demandam, estes absorve 30% dos recursos hídricos destinados à lavoura, conforme relatório da agência da ONU.

Outra consequência da ingestão excessiva de carne, sobretudo processada, está relacionada a saúde das pessoas, pois aumenta a probabilidade de desenvolverem enfermidades crônicas não-transmissíveis, como diabetes e câncer, em consonância com os estudos feitos pela Organização Mundial de Saúde. Também, conforme o livro Pandemias, saúde global e escolhas pessoais, a maioria dos surtos de doenças nos últimos anos, tal como H1N1 e Covid-19, teve alguma relação com a criação e a deglutição de proteína animal, cenário que pode se agravar, já que a probabilidade de que estes eventos afetem a população cresce com o aumento da sua utilização. Desta forma, é notório a importância de se buscar práticas alimentares alternativas que visem a sustentabilidade e o bem-estar coletivo.

É evidente, portanto, que o Ministério da Educação deve promover, por meio de palestras com ambientalistas, a inclusão de programas nas escolas que visem debater as consequências da pecuária para a comunidade. Outrossim, o Estado pode reduzir as emissões de gases de efeito estufa com o uso da tecnologia, mediante a oferta de subsídios aos pequenos produtores que implementariam sistemas de rastreamento para monitorar a ingestão de alimentos e as atividades do animal, logo minimizar os efeitos sobre o meio ambiente.