O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual

Enviada em 13/11/2020

O consumo de alimentos de origem animal não é uma prática recente, desde a Pré-história os humanos tinham como principal fonte de nutrientes a carne e os vegetais. No entanto, na sociedade atual esse consumo está relacionado à mercadoria e a indústria pecuária, que é uma das mais atuantes em todo globo, impacta negativamente a população de várias maneiras. Nesse sentido, nota-se que esse comércio alimentício afeta negativamente a saúde do indivíduo e, também contribui para a perpetuação da fome no cenário mundial.

Em primeira análise, vale ressaltar que os “fast food” tem tomado conta dos hábitos alimentares das pessoas, esses alimentos contém bastante conservantes e hormônios prejudiciais à saúde. O documentário “What the health” (Que saúde), produzido pela Netflix, investiga as relações entre a indústria farmacêutica e alimentícia, e como isso afeta na qualidade de vida, uma vez que os alimentos de origem animal pode estar relacionados a 70% de novas doenças em seres humanos, conforme a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura. Entretanto, o número de  vegetariano vem crescendo, visto que 11 milhões de pessoas (mais de 4% da população global) se declara não consumidores da carne, preservando bem estar individual e coletivo. Logo, é necessário que o Estado entenda a gravidade desse obstáculo e, ofereça uma alimentação mais saudável e segura.

Em segunda na análise, percebe-se que é agropecuária influencia o agravamento da fome em escala global. Nesse âmbito, sabe-se que 75% das terras agricultáveis do planeta são ocupadas pelo gado e 71% da soja é transformada em ração para esse setor, de acordo com a Organização das Nações Unidas. Sendo assim, o consumismo desse tipo de alimento fica restrito às camadas da sociedade com poder aquisitivo, já que não há terras, água e nem insumos suficientes para produzir carne necessária a fim de alimentar a população mundial. Diante disso, observa-se que a diminuição da produção de carne causaria uma melhora no quadro da fome atual, pois a soja e água seriam direcionadas para produção de alimentos essenciais.

Fica evidente, portanto, que o consumo de carne é uma questão social e deve dar a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual. Dessa forma, cabe ao Ministério da Saúde - principal órgão governamental responsável por cuidar do bem-estar da nação -, em parceria com o Poder Legislativo, deverá investir no planejamento alimentar e reduzir os preços dos alimentos não derivados de animais, por meio da distribuição de nutricionista em unidades de saúde pública e parcerias com pequenos agricultores, com o intuito de mitigar os problemas sociais acarretados pela indústria agropecuária. Assim, será possível romper com a tradição “carnívora” vinda desde a Pré-História.