O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual

Enviada em 18/10/2020

O dicionário define hábito como “comportamento que alguém aprende e repete frequentemente”, dessa forma, o padrão alimentar contemporâneo - por mais que mude de país para país- tornou-se um costume na medida em que não é mais pensado, apenas reproduzido. Sendo assim, percebe-se a falta de informação acerca de doenças provocadas pelo excesso de carne, o que advém do pouco acesso a alimentação variada, composta por outras fontes.

É evidente que a saúde é uma questão debatida, porém o papel da carne nesse debate segue em sigilo. Segundo o médico e pesquisador Rafael Cáton, as superbactérias causam 700 mil mortes anuais, que podem chegar a 10 milhões no ano de 2050. Tal realidade é associada ao uso massivo de antibióticos na pecuária, utilizados para engordar e combater doenças do gado, porém, esse uso é indiscriminado e sem legislação. Nesse cenário, a população se mantém refém de uma realidade caótica, que não tem preocupação com a qualidade dos produtos. Desse contexto acrescem-se as epidemias de H1N1, SARS E COVID19, que poderiam ter sido evitadas caso a alimentação fosse balanceada e legislada.

Ademais, é notório que a população não tem acesso aos meios de refazer o atual modelo de consumo. Naturalmente, perfis online têm tentado mudar essa realidade, como Leonardo, o vegano periférico, que afirma ser possível abandonar o consumo animal de forma barata e acessível. Certamente, grande parte da população ainda não possui esse conhecimento, devido ao baixo incentivo à agricultura familiar, em que a sociedade acaba descartando essa alimentação e continua a seguir o costume de comer o famoso bife. Ao contrário dos mercados e frigoríficos, os agricultores familiares não possuem espaço de divulgação, por isso, seus produtos passam despercebidos pela população, por mais que sejam de maior qualidade.

Portanto, a discussão dos hábitos alimentares deve ser levada ao Ministério da Agricultura e ao Legislativo, para que sejam criadas leis que regulem o uso de antibióticos, promovendo uma maior segurança para aqueles que continuarem o consumo de produtos animais. Além disso, por meio da mídia, visto que é uma concessão pública, deve ser efetivada a promoção de programas de incentivo à alimentação balanceada, por intermédio de programas de cunho conscientizador que visem propagar os benefícios da agricultura familiar, feiras e hortas caseiras. Dessa forma, um novo hábito é criado, mas dessa vez, de forma saudável e nutritiva.