O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual
Enviada em 26/10/2020
Na pós modernidade, devido industrialização, a alimentação se tornou um dos fatores motivadores para o trabalho, já que até então o alimento se baseava na produção familiar, assim, criou-se uma hierarquia alimentar. Em consequência disso, cada alimento possuiu seu valor no mercado, e a carne, na sociedade ocidental obteve o papel de componente fundamental, tornou-se seu acesso cada vez mais elitizado e sua produção mais devastadora. Logo, deve-se pontuar que o consumo exorbitante de carne contemporâneo é maléfico, gerado pelo fator cultural e aflorando questões ambientais, é atingido assim, a sociedade como um todo.
É elementar, que se leve em consideração, o quesito cultural, que devido a globalização tornou-se universal o consumo proteico por meio da carne animal, o que dificulta o conhecimento e acesso a outras fontes nutricionais. Nesse contexto, a índia conhecida por se tratar de um local vegetariano, é majoritariamente consumidora de carne, pois as camadas pobres possuem difícil acesso àquele tipo de alimentação, em razão a segregação econômica, tornando menos diverso e nutritivo as refeições populares, onde tais aspectos são convergentes com o Brasil. Portanto, é preciso atenção aos fatores sócio-culturais que tornam a nutrição da população restrita e limitada quanto às formas nutricionais, necessitando de uma assistência e projetos governamentais para limitar tais diferenças
Paralelo a isso, a questão ambiental é relevante ao se tratar desse assunto, pois a produção de carne animal gera no meio um uso desgovernado que traz consequências a comunidade. Certamente, é inegável que há uma pegada ecológica gerada pela produção de rebanhos e no seu processamento, tanto por meio do desgaste geológico quanto pela água virtual, cuja atualmente compõe cerca de 45% da água consumida no Brasil. Agravando, portanto, a situação ecológica brasileira,por meio da diminuição do curso hídrico e do desflorestamento, tudo para que a carne possa ser servida com a qualidade do mercado. À vista disso, tais impactos devem ser amenizados a fim de que o direito social a um meio ambiente preservado seja garantido.
Infere-se, portanto, a necessidade de mitigar as consequências sociais geradas pelo atual consumo de carne animal. Dessa maneira, faz-se necessário que o Ministério da Saúde conjunto ao da Economia possam reestruturar a base alimentar dos brasileiros, por meio da diminuição de impostos e preços de fontes proteicas alternativas, com o intuito da diminuição no consumo de carne. Não só isso mas também que a esfera executiva fiscalize e delimite as áreas de rebanhos e o consumo dos recursos naturais, amenizando o desgaste e cumprindo as leis estabelecidas. Nessa perspectiva, a comunidade poderá fazer uso da carne, porém de forma regrada e ecológica, acabando com a hierarquia alimentar.