O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual
Enviada em 27/10/2020
A Constituição brasileira de 1988, também conhecida como Constituição Cidadã, compromete-se com a liberdade individual e o bem estar social. Entretanto, tal garantia é deturpada, pois o consumo de carne aborda questões inerentes à sociedade. Diante disso, se por um lado essa ação é pautada cons-titucionalmente, por outro é destoante, visto que a excessiva atividade pecuária pode afetar o bem estar da sociedade. Logo, faz-se imperiosa a análise dessa conjuntura com o intuito de mitigar os entraves para a consolidação dos direitos constitucionais.
Em primeira análise, é válido destacar que a liberdade do cidadão é de suma importância para defesa da democracia no país. Sendo assim, a opção de escolha acerca dos hábitos alimentares, salvo exceções prescritas legalmente, deve ser exclusiva ao indivíduo. Dessa forma, esse poder individual evidencia a proposta Hegeliana, divulgada por Hegel no século XVIII, em que o filósofo iluminista relata que por intermédio da pluralidade uma sociedade democrática é edificada. Sendo assim, é evidente a importância de se discutir a presença de carne na dieta do brasileiro, porém, é necessário conciliar essa discussão com a liberdade individual.
Ademais, cabe ressaltar que apesar do consumo de carne ser existente para maioria da população, a criação de ruminantes, como a pecuária, acarreta consequências para todo corpo social. Sob essa ótica, o biólogo brasileiro Flávio Landim revela que cerca de 50% de todo gás metano liberado para atmosfera terrestre é oriundo da flatulência de gados -o que influencia o aquecimento global- e que 70% dos recursos hidrológicos do país são destinados a pecuária extensiva. Assim sendo, torna-se claro que a presença de carne nos supermercados e posterior alimentação agrega persistência desse meio caótico de produção, fazendo com que o bem estar social possa ser ecologicamente prejudicado.
Depreende-se, portanto, a relevância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual. Nesse sentido, urge ação do Governo. Dessarte, o Poder Legislativo deve, por meio de leis que possam fiscali-zar grandes centros pecuários, como os existentes no centro oeste do país, verificar se há uso desne-cessário de água, tendo como prioridade a irrigação de pastos extensivos. Além disso, o Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento, com apoio governamental, precisa oferecer aos pecuaristas, com isenção de impostos, rações que minimizam as flatulências do gado que sejam de fácil aquisição monetária com o fito de amenizar o processo de aquecimento global que essa cultura corrobora. Dessa forma, certamente, o Estado estará conciliando o bem estar social com a liberdade do cidadão, assim como foi previsto pela Constituição em 1988.