O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual

Enviada em 27/10/2020

A Lei Áurea é o símbolo da liberdade brasileira em relação à escravidão. No entanto, pode-se dizer que o cárcere somente trocou o alvo, visto que a criação de animais para o consumo tornou-se crescente. Percebe-se, então, que o reino animália irracional é escravizado pelo racional, apresentando uma forte influência de questões econômicas, geográficas, sociais e ambientais. Nessa perspectiva, é imprescindível discutir sobre os hábitos alimentares na sociedade contemporânea e ação de mitigação.

Em análise, na Teoria do Humanitismo do personagem Quincas Borba, ele afirma que ao vencido, o ódio ou a compaixão e ao vencedor as batatas. Na sua maioria, o hemisfério sul detentor de uma economia subdesenvolvida será o vencido, e o norte desenvolvida, o vencedor. Desse modo, este consumirá mais carnes devido ao poder aquisitivo ser mais alto e por se tratar de um clima frio, cultivará mais áreas de pasto. Enquanto aquele, por possuir menor poder e clima quente e úmido consumirá menos, além de produzir mais frutas, verduras e legumes. Cabe ressaltar que existem exceções como o Brasil que possui elevado índice.

Paralelamente, Pierre Bourdieu declara em Habitus que os indivíduos incorporam um padrão imposto a sua realidade, naturaliza tais estruturas sociais e as reproduz. Assim, a cultura do consumo de carne está muito presente em países em que não possuem nenhuma restrição religiosa como na China, com a previsão de crescimento do consumo de aves para 2020 de 37% e a brasileira 28%, conforme o Mapa da Carne. Isso traz sérios impactos ambientais devido ao maior número de áreas de manutenção de todos os animais comercializados e também de gases emitidos ao planeta, contribuindo ao aumento do efeito estufa.

Sob tal ótica, o cárcere animal precisa ser mitigado. Para isso, o Governo em parceria com o Ministério da Educação poderá promover palestras e debates nas escolas, incentivando a sustentabilidade na alimentação e a redução da ingestão de carne, afim de que a cultura do consumo desse alimento seja desconstruída e os animais sejam livres.