O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual
Enviada em 14/11/2020
O filme “Okja” retrata a trajetória de uma jovem na tentativa de evitar que uma poderosa multinacional sequestre sua porca gigante, geneticamente modificada. Dessa maneira, as novas tecnologias no meio agropecuário possibilitam o avanço irresponsável da indústria da carne. A seleção artificial dos animais juntamente à alimentação focada no consumo de carne contribuem para agravar o quadro.
Em primeira análise, a problemática da seleção artificial em meio a indústria reflete o egoísmo humano. Segundo Oscar Wilde, “egoísmo não é viver à nossa maneira, mas desejar que os outros vivam como nós queremos”. E é dessa forma que animais são geneticamente modificados para suprir as necessidades humanas. Essa mutação genética é causadora de sérios danos às espécies, principalmente quando se tratam de criações. Tal como galinhas que crescem e engordam rápido demais, tendo suas pernas quebradas por não suportarem tamanho peso (do seu próprio corpo). Além das diversas torturas sofridas por essas criaturas nos abatedouros, logo, é preciso rever a mentalidade de que para apreciar certo tipo de comida, é conveniente colocar a vida de animais em jogo.
Outrossim, é necessário trazer a pauta da reeducação alimentar. Segundo pesquisadores da ONG World Resources Institute, 81% da população do país é consumidora de carne. É culturalmente dado na dieta de um brasileiro priorizar a carne e, tendo em vista as enormes consequências deste consumo (uso desmedido de água, tortura de animais, emissão de gás metano na atmosfera devido a flatulência dos animais, prejuízo do solo por causa do pisoteio do gado, etc), a população deve incorporar em sua alimentação diária os vegetais de forma geral, para variá-la e com isso evitar o desgaste do meio ambiente e até doenças graves causadas pelo consumo excessivo de carne.
Por conseguinte, é imprescindível que o Ministério da Agricultura, através de projetos de lei, adote medidas as quais limitam o poder que as multinacionais detém sobre as criações, a fim de evitar as mutações genéticas que prejudicam a saúde e o bem estar do animal. Ademais, é de extrema importância que os órgãos gestores da alimentação brasileira, por meio de campanhas, promovam a iniciativa da reeducação alimentar, a fim de diminuir o consumo desregrado de carne.