O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual

Enviada em 06/11/2020

O documentário “Cowspiracy” expõe a agropecuária, exibindo tanto seus impactos quanto as relações entre gases de efeito estufa, desmatamento e extinção de animais. Nesse sentido, fora do universo televisivo, percebe-se, também, o impacto social do consumo de carne, evocando a necessidade de discutir acerca dos hábitos alimentares na sociedade atual. Desse modo, para tal, faz-se mister abordar tanto os possíveis riscos à saúde quanto a dicotomia “fome e consumo de carne”.

A princípio, urge reafirmar os impactos negativos que esse hábito alimentar causa na saúde. Conforme o documentário “What the Health” – em exibição na plataforma de “streaming” Netflix – o consumo de carne pode estar relacionado a uma série de doenças. À vista disso, cabe evidenciar um dado da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação estimando 70% das doenças surgidas desde 1940 são de origem animal – à exemplo, o coronavírus. Logo, percebe-se que esse consumo de carne pode e oferece riscos aos seres humanos.

Ademais, convém ressaltar a dualidade no que tange à fome e ao consumo desse grupo de alimentos. Sob essa perspectiva, ainda segundo a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação, não há recursos suficientes para produzir a carne necessária para alimentar a população mundial. Diante disso, nota-se que o senso comum de que a diminuição da produção de carne causaria fome no mundo não se sustenta.

Portanto, é inadiável que o Ministério da Educação e Cultura, por intermédio da mudança nas matrizes de educação, adicione, na pauta da disciplina de Sociologia, estudos interativos acerca dos hábitos alimentares sustentáveis – pensada para a adequação à maturidade de cada faixa etária. Isso deve ser feito com o fito de conscientizar, desde a mocidade, acerca das doenças, da distribuição de alimentos e recursos naturais para produzí-los. Quiçá, então, será possível modificar o pensamento brasileiro acerca desse hábito e reduzir os índices dessas novas doenças oriundas dos animais.