O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual
Enviada em 09/11/2020
Em 1988, Ulisses Guimarães promulgou a Carta Magna - norma de maior hierarquia do sistema jurídico nacional - e estabeleceu, em seu artigo 6º, entre outros, a educação e a alimentação, como direito social de todos. Todavia, os hábitos relacionados ao consumo de carne demonstram que a premissa de Guimarães está distante de torna-se realidade na nação verde-amarela. Com efeito, a discussão dessa questão passa pela educação alimentar e pela conscientização social.
Em primeiro plano, persiste no Brasil um problema histórico e cruel relacionado ao hábito alimentar da população: a falta de educação. Nesse viés, Imamnuel Kant - renomado filósofo alemão - disserta que o homem é o produto da educação recebida. De maneira análoga, os elevados níveis de ingestão de proteína animal pelos brasileiros podem ser explicados pela tese apresentada por Kant, pois há uma ideia errônea, causada pela desinformação popular, que as fontes proteicas para dieta são adquiridas exclusivamente por meio do consumo de carne bovina, suína ou frango. Assim, enquanto a educação alimentar não for regra no Brasil, uma dieta variada, baseada também em proteínas de origem vegetal, será exceção na vida dos cidadãos brasileiros.
Em segundo plano, o hábito alimentar do consumo de carne denúncia outra grave mazela social: a ausência de conscientização social. Nesse contexto, Émile Durkheim - sociólogo francês - desenvolve o conceito de consciência coletiva, no qual o indivíduo é influenciado pelos valores da sociedade. Desta forma, como os cidadãos estão imersos numa sociedade capitalista, a qual visa apenas o lucro, apesar de existirem alternativas sustentáveis para o consumo de carne, não há constrangimento popular em usar e destruir o meio ambiente. Nesse contexto, não são mensuradas as consequências negativas e desastrosas dessa prática, como: aumento do desmatamento, excessivo gasto de água e elevação de emissão de poluentes. Destarte, fica claro a ideia de Durkheim, pois demonstra como comportamentos, embora irracionais, são aceitos e perpetuados pelos valores da sociedade contemporânea.
Portanto, para combater os prejuízos socioambientais gerados pelo excessivo consumo de carne, o Ministério da Educação deve, com urgência, oferecer aulas sobre educação alimentar nas escolas e universidades, por intermédio de palestras, desenvolvidas em conjunto por pedagogos e nutricionistas, para que que a população adote medidas alternativas a esse hábito alimentar. Por sua vez, cabe ao Ministério do Meio Ambiente, promover campanhas de conscientização social, por meio de propagandas de rádio e televisão, abordando os impactos negativos dessa prática, com a finalidade de reduzir o consumo de proteína animal. Logo, essas medidas favorecerão o desenvolvimento sustentável da nação e o pleno alcance do Estado Democrático de Direito, previsto por Guimarães.