O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual
Enviada em 14/11/2020
Em “Explicando” - série documental de 2018 - é apresentada, em sua segunda temporada, a superprodução insustentável de carne e o consumo excessivo desse alimento, o que gera um hábito vicioso, negativo para o mundo. Nesse âmbito, fora do universo televisivo, percebe-se o impacto social do consumo de carne e a necessidade de discutir sobre os hábitos alimentares contemporâneos. Diante disso, é fundamental abordar os possíveis riscos à saúde e a relação entre fome e consumo de carne.
Em primeira análise, é imperativo salientar os possíveis impactos negativos que tal hábito alimentar causa na saúde. Sob esse viés, o documentário “What the Health” - produzido pela plataforma de “streaming” Netflix - afirma que o consumo de alimentos de origem animal pode estar relacionado a uma série de doenças. Dessa forma, uma pesquisa da Organização da Nações Unidas para Agricultura e Alimentação mostrou que, ao todo, 70% das enfermidades surgidas desde a década de 1940 são de origem animal - como o Coronavírus (2020). Como consequência, a saúde da população fica ameaçada.
Outrossim, cabe ressaltar a relação inegável entre a fome no mundo e a indústria de carnes. Isso é afirmado, pois, de acordo com a Organização das Nações Unidas, 75% das terras agricultáveis do planeta são ocupadas pelo gado e 71% da soja é produzida para alimentar esse grupo. Nesse sentido, o consumo desse alimento fica restrito à camadas com poder aquisitivo, já que não há terras, água e insumos suficientes para produzir a carne necessária para alimentar a população mundial. Desse modo, conclui-se que a redução da produção de carne causaria uma melhora no quadro da fome atual.
É urgente, portanto, que o Ministério da Saúde - principal responsável por garantir o bem-estar público - invista, em parceria com o Ministério da Economia, no planejamento alimentar e na redução de preço dos produtos orgânicos e de origem não animal, por meio da disponibilidade de nutricionistas por todo o território nacional e da parceria com pequenos agricultores, com o intuito de garantir a saúde para a população. Ademais, deverá, juntamente com o Ministério da Educação, desmistificar os conceitos preestabelecidos acerca do consumo de carne e apresentar alternativas nos hábitos alimentares, por intermédio de palestras de conscientização, a fim de diminuir a produção e o consumo de carne e fugir do apresentado em “Explicando”.