O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual
Enviada em 09/11/2020
Dentre os inúmeros direitos garantidos pela Declaração dos Direitos Humanos, promulgada pela ONU (Organização das Nações Unidas), destaca-se a saúde como imprescindível ao bem-estar da nação. No entanto, o Brasil mostra-se, muitas vezes, como incapaz de atingir tal meta, uma vez que o consumo desenfreado de carne pela maioria da população tupiniquim, abre margem não só para a gênese de um novo patógeno, como também impacta negativamente o já adoecido meio ambiente. Nesse sentido, torna-se necessário analisar tanto a omissão governamental frente a essa problemática, quanto a falta de medidas alternativas que visem impedir a expansão da pecuária sob o país.
Em primeira análise, destaca-se a ausência de medidas governamentais acerca desta pauta. Segundo o pastor protestante Martin Luther King, “A injustiça em um lugar qualquer é uma ameaça a justiça em todo o lugar”. Analogamente a esse raciocínio, o estado brasileiro, ao deixar de adotar medidas restritivas a produção desenfreada de carne, abre margem para que cenários epidêmicos, tais como a gripe aviária no começo dos anos 2000 e o novo coronavírus (covid-19) em 2020, sejam passíveis de uma recriação no cenário nacional, colocando a saúde de toda população em risco.
Faz-se mister, ainda, salientar os impactos ambientais provocados pela pecuária como impulsionador do problema. Em uma publicação realizada por pesquisadores do Museu Emílio Goeldi, cerca de 80% das áreas desmatadas na Amazônia possuem como finalidade a criação de gados ou de soja para sua alimentação. Sob esse viés, torna-se nítido como a produção de carne está intrinsecamente ligada aos problemas ambientais que o Brasil enfrenta, hodiernamente. Com um mercado tão dependente do bife em seu prato, a tendência é que mais terras sejam utilizadas para suprir essa demanda e, em poucos anos, fazer com o que o Brasil deixe de ser reconhecido por sua biodiversidade, para que se torne o curral do mundo, com uma fauna e flora dizimadas para o ganho de apenas alguns latifundiários.
Infere-se, portanto, que medidas devem ser exercidas a fim de que a problemática em questão seja solucionada. Para tanto, cabe ao Poder Legislativo, elaborar leis que restrinjam a produção em massa de animais em cativeiro e insira uma maior fiscalização nas condições sanitárias nos criadouros, de modo que evite possíveis formações de micro-organismos maléficos a saúde humana. Outrossim, cabe ao Ministério do Meio Ambiente direcionar uma maior parte de seus recursos para universidades e centros de pesquisa, possibilitando-os contribuir para as inúmeras pesquisas voltadas as alternativas ao sistema pecuário vigente, como as carnes feitas em laboratório, fazendo com que essa necessidade tão intrínseca da sociedade em comer carne seja saciada de modo que não prejudique o meio ambiente e torne possível uma retração do setor pecuário, tão maléfico a toda biodiversidade brasileira.