O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual
Enviada em 10/11/2020
O debate sobre o consumo de carnes é um problema recorrente da atualidade. Todavia, duas formas de pensamento se relacionam à maneira como o ser humano interage com os outros animais e são percebidas por alguns consumidores. A primeira refere-se à visão “bem-estarista” do filósofo e professor Peter Singer, a qual prega que os animais devem ser tratados “humanitariamente”, e não devem estar sujeitos ao sofrimento desnecessário. Essa posição assume que os animais podem ser usados pelo ser humano desde que se garanta sua segurança e qualidade de vida. Já a teoria dos direitos animais considera que, animais não humanos possuem um valor inerente que deve ser respeitado. A teoria dos direitos animais não aceita o uso de animais para experimentos ou para consumo humano, não porque simplesmente essas atividades causem sofrimento aos animais, mas porque esse uso viola as obrigações fundamentais de justiça que possuímos em relação os animais não humanos.
Com esta filosofia de pensamento, baseada em ideologias e simbologias diversas, é que muitos se tornaram e se classificaram como vegetarianos: veganos ou vegans, lacto-vegetarianos, lacto- ovovegetarianos ou ovo-vegetarianos.Cada um com sua característica de pensamento e ação transforma sua alimentação, seu comer de maneiras diferentes, mas a oposição ao consumo de carne vermelha é uma constante nos diferentes universos simbólicos aqui colocados. Aludindo a razões éticas, estéticas ou biológicas, a carne vermelha é a representação e a aproximação da culpa, pois se associa à poluição, à toxicidade e à destruição. Não se pode esquecer de que o imaginário ecológico valoriza os produtos vegetais em detrimento dos produtos animais.
Em segunda análise, temos outros fatores relacionados a questões de segurança são: contaminação por patógenos, pesticidas e agentes biológicos, uso de antibióticos e/ou hormônios, mais uma vez entrando em debate sobre a carne, se ela traz benefícios ou malefícios a saúde do indivíduo. Mas, nem mesmo a propagação da comida “natural” ou os discursos daqueles que desaprovam o consumo da carne conseguiram tirar deste insumo o papel de personagem principal da alimentação diária de grande parte da população mundial.
Diante dos fatos mencionados, entende-se que o Poder Público deve tomar providências capazes de atenuar a problemática do consumo de carne. Nesse sentido, urge que o Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Saúde, mude os cardápios escolares, opcionando a proteína animal e disponibilizando refeições com legumes e verduras, por meio de projeto de lei entregue à Câmara de Deputados, com o intuito de incentivar os jovens a tomar uma decisão, democraticamente.