O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual

Enviada em 13/11/2020

De acordo com pesquisas feitas pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística em 2019, apenas 14% da população brasileira é vegetariana, ou seja, a enorme maioria tem o costume de comer carne nos dias de hoje. Dessa forma, podemos analisar que os efeitos causados por essa grande demanda ainda são muito presentes no país. Apesar dos benefícios do consumo de carne, a indústria agropecuária é a maior causa do aquecimento global, além de que a ingestão excessiva de carne pode trazer inúmeros problemas de saúde.

Em princípio, a agropecuária torna-se maléfica devido aos problemas ambientais que causa. Dentre eles estão a emissão de gases do efeito estufa, responsáveis pelo aquecimento global, por meio da liberação de gás metano dos bovinos e a compactação do solo, que dificulta a infiltração da água e aumenta o escoamento superficial, podendo gerar erosões. Além disso, o desmatamento é uma prática comum que provoca a redução da biodiversidade, extinção de espécies animais e vegetais, desertificação, dentre outras mazelas. Por isso, é necessário que se diminua o consumo de carne e que métodos sustentáveis sejam implantados na agropecuária, de forma a reduzir os problemas ambientais provocados por essa atividade.

Ademais, estudos do Jornal Acadêmico Annals of Internal Medicine comprovam que o consumo regular de carne está associado a um risco ligeiramente maior de doença cardiovasculares. E também, gera aumento dos níveis de colesterol, da pressão arterial e do risco de câncer. Enquanto isso, um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Loma Linda, na Califórnia, confirma que veganos obtiveram as maiores pontuações em termos de marcadores que impedem doenças, isto é, a dieta vegana se mostrou a mais saudável do ponto de vista da saúde. Ela foi  associada a menor risco de câncer de mama e câncer de próstata, em adição a uma menor quantidade de gordura saturada no corpo, entre outras coisas mais.

Portanto, cabe ao Governo, juntamente com os produtores rurais, promover a redução das complicações geradas pelo consumo de carne, de modo que a crise climática e problemas no solo e na saúde sejam amenizados. Deve-se implantar técnicas para preservar a natureza, como por exemplo o pousio, que visa o “descanso” do solo, para recuperar sua fertilidade, bem como uma suplementação estratégica dos ruminantes, para que possa ser minimizada a emissão de gás metano. Outrossim, compete também aos Órgãos Governamentais, através do Ministério da Saúde, desenvolver palestras educativas sobre o consumo de carne em escolas e faculdades, com o intuito de conscientizar a população e evitar futuras doenças e enfermidades.