O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual
Enviada em 13/11/2020
Com o advento da Revolução Técnico-Científico-Informacional o sistema capitalista de produção, ao decorrer dos anos, busca promover a transformação do espaço geográfico, nem sempre obtendo resultados positivos entre homem e natureza. Nesse âmbito, o agronegócio tornou-se um dos pilares da economia brasileira, de forma a incentivar o consumo e a exportação de carne. Entretanto, a produção das carnes está envolvida em enormes índices de desmatamentos, além da ineficácia da fiscalização governamental acerca da qualidade de vida dos animais que são abatidos, o que evidencia a necessidade de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual.
Em primeira análise, segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (ABIEC), 40% do rebanho de gado nacional se encontra na Amazônia, atualmente. Se não houver ações e mudanças por parte de vários setores da sociedade, a floresta será drasticamente afetada nos anos consecutivos. Analogamente, o desmatamento afeta diretamente na qualidade de vida da população e até mesmo no clima, uma vez que os rios voadores são comprometidos. Outrossim, o novo documentário “Sob a Pata do Boi” mostra que 1/5 da floresta amazônica foi derrubada e quase 80% do desflorestamento está associado a indústria pecuária. Ou seja, sanções e incentivos por parte do Estado são ineficientes em motivar os pecuaristas a estimular técnicas sustentáveis.
Em segundo plano, de acordo com a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, porcos, aves e vacas são os animais que mais sofrem maus-tratos no mundo. Por conseguinte, o descaso da população e o consumismo exagerado de carnes, ovos e laticínios, geram a corroboração com as “celas de gestação”, onde fêmeas suínas não conseguem se movimentar. Além disso, galinhas são trancafiadas em gaiolas superlotadas, desrespeitando as necessidades básicas dos animais de produção. Ademais, como cães e gatos, esses animais são sensíveis e sociáveis o que abrange a questão social de como o homem se relaciona com o meio e a forma como se usa da crueldade com esses animais. Dessa forma, é notório que o bem-estar animal está severamente comprometido.
Em virtude dos argumentos apresentados, para que a qualidade de vida dos animais de abate sejam vigorosamente respeitas, cabe ao Legislativo sancionar leis que garantam as necessidades básicas desses animais e a punição rigorosa em casos de crueldade. Partindo disso, cabe as mídias incentivar o consumo consciente, ou seja, em busca de a população diminuir o consumo de carne. Dessa maneira, as escolas devem apresentar palestras com nutricionistas e ambientalistas, como forma de esclarecer sobre os riscos que o agronegócio causa ao meio ambiente, apresentando alternativas sustentáveis para alimentação, para assim, a sociedade possa evoluir em harmonia com a natureza.