O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual

Enviada em 14/11/2020

A carne é uma peça fundamental em muitas rotinas, a partir de suas proteínas e seus sais minerais, incrementa variadas refeições e salivam muitas bocas. Seus benefícios são inúmeros, desde a geração de empregos ao seu lucro, entretanto são observadas algumas reveses, como seu impacto nocivo no meio ambiente e o estado cruel que alguns bichinhos enfrentam no processo. Isto posto, a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual mostra-se incrivelmente relevante, para que abrandemos os óbices observados e consumamos carne de uma forma mais consciente e sustentável.

A priori, os problemas mais notáveis são os efeitos do consumo exagerado e inconsciente da carne e seus resultados negativos para a fauna e flora local. Nesse contexto, é possível citar o avanço do desmatamento do cerrado no centro-oeste pela agropecuária, que devido à criação extensiva acaba desmatamento grandes espaços, levando à compactação, à perda do bioma nativo e o exaurimento do solo pelo rebanho. Além disso, o consumo elevado de carne bovina, aliado à baixa produtividade desse método de criação, faz com que os produtores desmatem muito mais áreas, visando dar conta da demanda, sem pensar no meio ambiente e sim no lucro. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), quase 50% do cerrado original já foi desmatado pela agropecuária na região.

Paralelamente, o estado que certos animais se encontram é realmente deplorável, em alguns casos são obrigados a ter uma morte dolorosa e lenta ou a viver enclausurados e maltratados. Nesse cenário, é completamente compreensível a revolta de algumas pessoas que defendem o veganismo, criado em 1944, prega uma vida baseada na compaixão com os animais e a total contrariedade à exploração deles. O ex-beatle Paul McCartney é um deles, ele afirma e defende que para se viver uma boa vida não é necessário tirar outras e ainda fala que ser vegano o ajuda a andar bem mais tranquilamente em um campo cheio de animais. Nina Rosa Jacob, vegana e defensora dos animais, também questiona: “Se não consumimos o trabalho escravo, porque consumimos a exploração de animais inocentes?”.

Em suma, para que torne-se possível atenuar os impactos negativos no meio ambiente e reduzir os óbices citados, os agropecuaristas devem investir na criação intensiva, que toma menos espaço e atenua o desgaste ambiental, produzindo mais produtos com menos desmatamento. Por outro lado, as ONGs defensoras dos animais devem começar uma campanha que conscientize e mude hábitos, para que mobilizem o governo a ter certeza que os animais tenham uma vida sadia e tolerável, com uma morte indolor e rápida. Ademais, essa campanha deve informar e conscientizar as pessoas ao redor do mundo à que custo elas ingerem a carne que comem. Assim, incentivando uma mudança de hábitos alimentares que, paulatinamente, nos trará um futuro muito mais sustentável, cauteloso e consciente.