O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual

Enviada em 14/11/2020

“Todos querem o perfume das flores, mas poucos sujam suas mãos para cultivá-las”, essa afirmação feita pelo escritor brasileiro Augusto Cury, pode ser associada ao consumo exacerbado de carne no Brasil, que alicerça um parâmetro de saúde pública cada vez mais acometida por doenças, e ligada diretamente ao desmatamento. Embora, todos queiram um país com cidadãos saudáveis e conscientes dos danos causados à natureza, não fazem por onde, ou o mínimo necessário para concretiza-lo.

Em primeira análise, vale o ressalto da saúde pública no país, que aliada ao consumo de carne animal diária, gera uma sociedade marcada pelas doenças cardiovasculares, cancerígenas e outras. De acordo com o OMS (Organização Mundial da Saúde), consumir carne diariamente aumenta os níveis de gordura saturada no corpo, e também acresce em 18% o risco de câncer de cólon ou reto. Além de que, para o abastecimento das prateleiras e as geladeiras dos brasileiros, os animais são tratados cruelmente antes de irem ao abate. E esse mercado consumista e capitalista que predomina na contemporaneidade, só corrobora para essa alimentação prejudicial, tornando as carnes mais acessíveis e alimentos que são, de fato, saudáveis - como as leguminosas, mais caros.

Ademais, vale ressaltar que, a necessidade do brasileiro em ter seu consumo preservado de carne animal por ano, que aliado ao avanço da agropecuária, gera extensas áreas desmatadas ao longo do Brasil para que haja mais cultivo de gados. E, de acordo com o Greepeace, a agropecuária é responsável por mais de 60% das emissões dos gases do efeito estufa que provocam as mudanças climáticas, além de se fazer uso de grande quantidade de água na produção dessas carnes. Isso, só mostra como essa produção é insustentável para o futuro, e esse padrão de consumo é altamente prejudicial para a sociedade, que poderia fazer o uso das altas produções de soja de forma mais consciente, e não apenas para alimentar os animais, subsidiando a extinção da biodiversidade do Brasil.

Assim, faz-se imprescindível, um debate sólido sobre a importância de se mudar os hábitos alimentares na sociedade, e sem cortinas e ressalvas para a realidade atual e perversa que o brasileiro se encontra. Portanto, cabe ao Governo Federal por um plano nacional de produção de alimentos sem agrotóxicos e uma lei mais rígida quanto ao desmatamento pelas indústrias agropecuárias, por meio de um projeto de lei que incentive um desenvolvimento e consumo responsável, com a finalidade de combater as doenças atuais provenientes do consumo de carne e prevenir um futuro sustentável. E com o Ministério do Meio Ambiente, por o intermédio das escolas e ajuda de ONGS, informar com palestras sobre hábitos alimentares saudáveis desde crianças, e a importância que se tem de mudar.