O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual

Enviada em 16/11/2020

“Quando achava alguma coisa,não examinava nem cheirava: engolia com voracidade.”. O trecho do poema “O Bicho”,do Manuel Bandeira,é uma das perspectivas sobre como é a relação do ser humano e a comida. Não distante da obra do poeta brasileiro,o debate sobre a carne como questão social deve ser instigado,visto que o consumo descontrolado e irresponsável de tal alimento é prejudicial à longo prazo ao mundo. Dessa forma,há de se desconstruir os fatores culturais e combater os impactos ambientais perpetuados pelo descuido estatal e o agressivo comércio pecuário.

Em primeira análise,a cultura carnívora vigente na substancial parcela dos países é um dos principais motores no embate por um consumo consciente. Nesse viés,o sociólogo Pierre Bourdieu defende que os indivíduos são desde o nascimento influenciado por saberes sociais,pensamentos difundidos por senso comum,e com isso,a ideia da carne como alimento essencial torna-se gradualmente intrínseca nos costumes da sociedade. No Brasil,o conceito criado por Bourdieu mostra como as pessoas estão habituadas com o irresponsável consumo da carne e fechadas para alternativas sustentáveis ou para os problemas ao ecossistema causadas por tal hábito. Dessa maneira,o debate sobre como é preciso diminuir a demanda da carne deve ser engajado,principalmente pelos meios midiáticos.

Por conseguinte,as sequelas ambientais ocasionadas pelo comércio carnívoro são mantidas pela falta de amparo estatal. Para ilustrar tal questão,a conferência ocorrida no Brasil em 2012,chamada Rio+20,tentou discutir acordos políticos e o compromisso com uma economia sustentável. Todavia,o objetivo pontuado pelo evento obteve resultados medíocres em solo brasileiro,visto que inúmeras terras,em especial amazônicas,são desmatadas irregularmente para dar lugar à produção de carne. Além disso,o desperdício hídrico nas fazendas atinge níveis catastróficos pois 45% da água doce do país é reservada para a pecuária,segundo o Instituto de Pesquisas Ecológicas. Sob tal ótica,cabe pontuar a presença estatal em relação à negligência ecológica provinda da indústria da carne.

Em síntese,o consumo da carne como questão social demanda a colaboração popular e governamental para ser efetivamente resolvida. Inegavelmente,mudar o comportamento cultural de uma sociedade é árduo,assim,cabe aos meios de comunicação,como a Rede Globo,propagar alimentações alternativas,como a carne de soja,através de novelas,documentários e comerciais com o intuito de,gradualmente,conscientizar sobre a presença de tal comida nos cardápios brasileiros. Outrossim,é dever do Ministério do Meio Ambiente fornecer políticas mais punitivas,através de multas,às empresas que ultrapassem os limites das terras determinadas pelo Governo a fim de atenuar a exploração do comércio pecuário. Para então,“O Bicho” se manter devidamente saciado.