O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual
Enviada em 16/11/2020
“Porque amamos cachorros, comemos porcos e vestimos vacas: uma introdução ao carnismo”, o título do livro da escritora norte americana Melanie Joy propõe uma investigação sobre o consumo de carne e a questão social por trás da relação que os humanos estabelecem com os animais. Tal reflexão, evidencia a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual, pois hoje o consumo de carne está ligado a questões ambientais — como o efeito estufa, e questões morais dos indivíduos para com os animais, como o título do livro apresentado pretende.
Atualmente, repensar o consumo individual de carne tornou-se uma questão social que atravessa vários tópicos, como a questão ambiental. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), 60% de todo o desmatamento brasileiro é destinado ao pasto, o que gera 230 milhões toneladas de CO2, um dos gases de efeito estufa que contribui para problemas ambientais como o aquecimento global, por agravamento do efeito estufa, e inversão térmica. Em vista dos dados supracitados, é indubitável que a atual demanda de produção de carne, impulsionada pelo consumo, gera um cenário insustentável que cresce cotidianamente.
Segundo Melanie Joy, os seres humanos são ensinados a amar cães e comer carne sem questionarem o porquê, em virtude disso ela mostra a necessidade de aumentar o conhecimento das pessoas sobre o consumo responsável. Similarmente, o ponto de vista moral apresentado por Joy é análogo ao defendido por veganos, que partem do pressuposto que, assim como os seres humanos, os animais sentem dor, além de condenarem a indústria por considerarem o abate algo cruel, por ser feito para satisfação de necessidades humanas. Em vista disso, torna-se cada vez mais pertinente a discussão sobre os hábitos alimentares atuais.
Portanto, é mister que o Estado tome providências para superar a questão social e melhorar o quadro atual. Para que o brasileiro passe a repensar o consumo de carne, urge que o Ministério da Saúde reforce movimentos já existentes como o “21 dias sem carne” e a “Segunda sem carne” em parceria com a Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB) e com o grupo estadunidense “Mercy For Animals”, respectivamente. Tal ação deve ser executada por meio de propaganda televisiva governamental, em horários pontuais, com uso de dados informativos coletados pela SVB sobre benefícios de repensar e diminuir o consumo de carne. De forma análoga, o Ministério da Saúde deve atuar junto às Unidades Básicas de Saúde (UBS), fornecendo orientação nutricional sobre dietas sem carne, de modo a garantir a saúde dos adeptos concomitante a consciência ambiental e social sobre a questão. Nessa conjuntura, promover uma discussão sobre os hábitos alimentares na sociedade atual.