O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual

Enviada em 17/11/2020

Houve um momento na história em que a relação entre espécies era diferente. Essa interação relacionava o homem, nômade, caçador, à sua caça, animal independente e livre. À medida que instaurou-se o sedentarismo e estabeleceu-se a criação para abate em ampla escala, emergiu a relevante questão sobre o impacto ambiental, causado primordialmente pelo alto consumo advindo da objetificação do animal.

A princípio, é fulcral pontuar que o impacto na natureza se sustenta com a perpetuação da política humana junto à natureza. Segundo o filósofo Francis Bacon, “Saber é poder”. Tal afirmativa foi proposta pelo autor para explicar a eficiência ao explorar adequadamente a natureza. Nesse sentido, verifica-se que, uma vez que a quantidade de animais criados para consumo é responsável pelo alto gasto dos recursos hídricos, avanço do desmatamento e alta emissão de metano, fator causador do efeito estufa, a exploração do ambiente não tem sido sustentável.

Em segundo lugar, cabe salientar que uma causa para a ampla procriação para sustentar o nível de consumo parte da banalização, com consequente objetificação. De acordo com a filósofa Hannah Arendt, a banalização do mal acarreta a simplificação de temas graves, de modo que, nesse caso, promove a objetificação do animal, com a construção de uma cadeia de assassinato terceirizado, no qual, as pessoas podem ter dificuldade de compreender o produto final como um ser. Assim, seria positivo renovar os valores da sociedade e incentivar a exploração de produtos proteicos alternativos.

Portanto, medidas devem ser aplicadas no intuito de fomentar a revisão do consumo de carne na sociedade atual brasileira. A Secretaria do Meio Ambiente deve organizar grupos de trabalho compostos por ONGs, pequenos empresários no ramo de alimentos vegetarianos e simpatizantes com a causa, que devem planejar feiras gastronômicas, oficinas profissionalizantes de culinária e campanhas virtuais, com o objetivo de ascender o interesse sobre esses produtos. Outrossim, a profissionalização gera o surgimento de empresas, oferta de novos produtos e competição, possibilitando um preço mais acessível. Essas etapas são o primeiro passo para estabelecer possibilidades coerentes com a maior independência do consumo da carne.