O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual
Enviada em 18/11/2020
Segundo Oscar Wilde, dramaturgo britânico, a insatisfação é o primeiro passo para o progresso de uma nação. Nesse sentido, nota-se a relevância do debate levantado acerca do consumo de carne. Ao levar em consideração os efeitos ambientais, bem como a influência nos hábitos alimentares das pessoas, percebe-se a necessidade de buscar a evolução do cenário atual.
A princípio, devem-se analisar as consequências trazidas ao meio ambiente decorrentes dessa demanda. A exemplo disso, podem-se citar as extensas áreas desmatadas em função da criação de gado. Tal evento foi, igualmente, observado no período Colonial, cujas práticas agropecuárias resultaram na aniquilação da Mata Atlântica, o que provoca o temor de que a conjuntura atual possa conduzir ao mesmo resultado na Amazônia, por exemplo.
Ademais, é pertinente refutar a ideia acerca da necessidade da carne como única fonte de proteínas na alimentação humana. Ao contrário do que se pensa no senso comum, esse produto não faz necessariamente o papel de matriz primária desses polímeros biológicos, assim como apresenta a matéria Mapa da Carne ao mostrar que o potencial proteico de um gafanhoto é o dobro do encontrado em uma vaca. Nessa lógica, esse alimento não se configura como imprescindível na dieta dos indivíduos.
Faz-se necessário, portanto, que medidas sejam tomadas para reverter o quadro dispensável de agressão ambiental e hábito alimentar compulsório. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento deve frear o processo de desmatamento ao estabelecer diretrizes para utilização limitada das áreas destinadas à cultura da carne, bem como promover projetos de substituição nutricional a fim de reduzir o consumo do produto bovino por outras opções mais sustentáveis. Espera-se, com isso, melhorar o panorama da problemática em questão.