O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual
Enviada em 19/11/2020
Com a Revolução Verde, a produção alimentícia passou a ser realizada de forma intensiva, visando obter lucro com a venda de alimentos em função da alta demanda de consumo. Entretanto, observa-se que a produção intensiva incentiva o consumo em excesso, tornando-se um problema expressivo, ao contribuir, para os maus tratos aos animais que são criados para o comércio. Destarte, deve-se debater acerca do déficit educacional e da inaplicabilidade da lei com relação ao eixo problemático.
Nesse contexto, observa-se que a falta de abordagem educacional a conteúdos que valorizem o mutualismo entre seres humanos e o meio ecológico contribui diretamente para a manutenção desse quadro. Nessa lógica, de acordo com Sêneca, “a educação exige os maiores cuidados, pois influi sobre toda vida”. No entanto, relata-se que a sobrecarga de conteúdos técnicos impede a contemplação educacional de valores que são fundamentais para a vida humana, em todos os aspectos, o que leva os indivíduos a não se informarem a respeito das consequências do consumo exagerado de carne. Desse modo, o cenário educacional brasileiro contraria o ideal de vitalidade educacional previsto por Sêneca.
Outrossim, expõe-se que há um lapso na Legislação brasileira, no que diz respeito ao não cumprimento da garantia constitucional que assegura que todos os animais tem direito ao respeito e que o homem não usufrui do poder de exterminar outras espécies. Sob esse prisma, é visível que a falha do Poder Legislativo em fiscalizar as ações do Poder Executivo corrobora para que este não assegure as sanções previstas em lei, o que contribui para que os animais sejam negociados como objetos e consumidos como se não fossem defendidos pela Legislação nacional. Dessa maneira, é evidente a necessidade de corrigir as falhas no Legislativo para que o previsto na Carta Magna se execute.
Portanto, é substancial a tomada de medidas para estabelecer medidas de proteção aos animais envolvidos, involuntariamente, no agronegócio. Em suma, cabe ao Ministério da Educação, junto às escolas-maiores formadoras da moral humana-, inserirem conteúdos na Base Nacional Comum Curricular, por meio de debate com profissionais do ramo jurídico, para que os alunos da Educação Básica compreendam que a relação simbiótica na biosfera não é apenas uma questão de senso comum, mas também, um aspecto regulamentado pela lei. Dessa forma, a Revolução Verde deixará de ser um episódio que desarticula a relação entre os Seres Vivos.