O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual

Enviada em 03/12/2020

O documentário “What the Health” demonstra quão preocupante e nocivo é o consumo de carne e derivados pela atual sociedade. Além de danos ao próprio consumidor, entre o pasto e o açougue há um longo caminho de poluição e ataques a natureza. A alta taxa alimentação a base de carne se deve á cultura e é um reflexo a fatos históricos da colonização, além de ser fruto da desinformação populacional . Dadas as consequências do consumo, é necessária uma análise a fim de que tal problemática seja remediada.

Em primeiro plano faz se importante ressaltar que desde a colonização do Brasil, a quantidade de carne consumida era proporcional ao poder aquisitivo. Os então escravos comiam o que não era atraente aos seus escravizadores, logo as partes menos valorizadas. Quando obtiveram sua liberdade finalmente puderam comprar as partes dos animais que, antes, nunca antes puderam. Além disso, a atividade responsável por cerca de 11% do Produto Interno Bruto brasileiro segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, é a agropecuária, por conseguinte, a grande quantidade de carne e derivados disponível para compra e o grande contato dos cidadãos com ela também influencia o consumo em grande escala.

Em segundo plano, é interessante observar que ainda é escassa a divulgação dos malefícios da alimentação rica em carne. O documentário ‘Earthlings" mostra que a Mídia propagou por muitos anos que a carne e seus derivados eram bem aproveitados e essenciais para o corpo humano, porém na última década estudos mostram que tal alimentação aumenta os níveis de LDL, lipídios que são responsáveis por doenças cardiovasculares, segundo a Organização Mundial da Saúde. Além disso, o senso comum propagado diz que a carne é a principal fonte de ferro, cálcio e magnésio na dieta, entretanto, estudos demonstram que em comparação com certos vegetais, a quantidade por quilo na carne é notavelmente menor, assunto também tratado no documentário. Dessa maneira, é possível inferir que é necessária uma maior divulgação científica acerca desses dados, para que tal senso comum errôneo seja mitigado.

Neste interím, é basilar que o Governo, em conjunto com a Mídia, promova campanhas para que tais “saberes populares” equivocados sejam corrigidos, utilizando para isso a televisão, rádio e redes sociais e assim, a longo prazo, tais enganos não sejam cometidos, proporcionando assim a diminuição do consumo e doenças cardiovasculares. Também é importante que o Ministério da Economia diminua a quantidade de impostos dos vegetais e legumes, a fim de que sejam mais acessíveis à população, assim substituindo a carne em certas refeições.