O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual

Enviada em 03/12/2020

Degradação ambiental, exploração animal e danos a saúde humana são algumas das mazelas pecuaristas abordadas no documentário A Carne é Fraca. Nesse viés, nota-se a lastimável cultura brasileira de consumir carne, visto que essa prática é incentivada, tanto pela esfera política, quanto civil. Desse modo, mudanças nos hábitos alimentares da população são essenciais para melhoria da qualidade de vida no país.

Em primeira análise, análogo ao pensamento de Durkheim, o consumo de proteína animal trata-se de um fato social, isto é, o cidadão reproduz o comportamento cultural que o cerca. Sob essa ótica, percebe-se que esse hábito alimentar está enraizado no Brasil, visto que a dieta vegetarina, por exemplo, praticamente inexiste em restaurantes e lancherias que só disponibilizam alimentos de origem animal. Assim, fica evidente a falta de incentivo em formas alternativas de alimentação e a saúde pública torna-se alvo desse cenário. Afinal, o excesso de carne bovina é uma das causas de problemas cardiovasculares devido ao seu alto teor de colesterol.

Além disso, vale ressaltar a culpabilidade extrema da esfera política no desmatamento florestal, pois, em prol da lucratividade pecuarista, o bioma Cerrado já foi drasticamente transformado em pasto. Afinal, o Brasil possui cerca de 200 milhões de bovinos que precisam ser alimentados, de acordo com o site G1. Percebe-se, portanto, que o governo faz ‘‘vistas grossas’’ para essa degradação ambiental, haja vista a falta de políticas públicas que incentivem a redução do consumo de carne para preservação ambiental.

Diante dos fatos supracitados, a União deve custear o drecréscimo do preço de alimentos vegetarianos e veganos produzidos no país, no fito de incentivar esse hábito de consumo. Posto isso, leis cabíveis devem garantir, no mínimo, uma redução de 20% no valor desses produtos que será paga com verbas públicas. Logo, a longo prazo, o estímulo à mudanças alimentares será de fato eficaz e a carga excessiva da pecuária, para o meio ambiente  e saúde civil, irá reduzir paralelamente ao consumo de carne.