O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual

Enviada em 03/12/2020

O consumo de carne é algo amplamente difundido na sociedade atual, porém seus impactos, de ordem global ou pessoal, não são amplamente debatidos, com exceção nas intrigas entre praticantes das dietas onívoras, veganas e, recentemente, carnívoras.

Primeiramente, em um aspecto global, o consumo de carne afeta o ambiente tanto na emissão de gases do efeito estufa quanto na destruição de florestas para áreas de pastagem. Além disso, a indústria pecuária gerencia para alimentar um número de animais cerca de dez vezes o de humanos no planeta, consumindo quase 75% da produção agrícola mundial enquanto 11% da população passa fome, segundo a ONU. Outrossim, em muitos casos esses animais recebem antibióticos, que podem provocar o surgimento de superbactérias, devidas as péssimas condições de criação, ao passo que mais de 5 milhões de pessoas morrem por doenças tratáveis com antibióticos todos os anos, segundo a CDDEP.

Igualmente, existem motivos de ordem pessoal para reduzir ou parar o consumo de carne. Para alguns a carne no prato não vale a vida de um animal e o modo como muitos destes são criados: em espaços extremamente apertados, sem luz solar, sem interações sociais, maltratados pelos criadores e sendo mortos em uma fração do seu tempo de vida normal, como denuncia Ed, ativista produtor do documentário “Earthlings”. Outro ponto observado é de que a carne processada, amplamente incorporada na dieta ocidental, aumenta a chance de infartos, contribui para problemas de pressão, de colesterol, entre outros e foi classificada como cancerígena para humanos pela OMS.

Portanto, o governo deve fiscalizar e cobrar que os fornecedores explicitem a forma de criação dos animais e os impactos no ambiente e na saúde. Igualmente, o consumidor pode procurar por carnes “orgânicas” de fazendas locais e em menor frequência, participando de movimentos como o Segunda Sem Carne. Ademais, quem opta por consumir ou não carne deve sempre respeitar a decisão de outrem.