O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual
Enviada em 04/12/2020
Na obra cinematográfica OKJA, uma espécie de superleitão é produzido em laboratório, por uma empresa norte-americana, para o consumo da maior parte da população. Tal fato foi necessário por consequência do desenfreado consumo de carne animal e da falta de consciência ambiental da população que ocasionaram graves influências no planeta e na vida da sociedade. Fora da ficção, é fato que os maus hábitos alimentares, em um futuro próximo, assim como no filme, trazeram irregularidades a existência humana, além de influenciarem no ecossistema e na questão socioeconômica mundial.
Em primeiro plano, vale salientar que o consumo exagerado de carne animal e seus derivados é prejudicial ao meio ambiente e ao futuro da sociedade. É fato que a produção de galinhas, suínos e principalmente de gado causam adversidades ecossistêmicas, como a compactação e acidificação dos solos, o aumento do efeito estufa pela liberação do gás metano, poluição dos rios e desmatamentos periódicos para pastagens, sendo todos estes eventos a fim de elevar o prazer humano de consumo que esconde lamentáveis trilhões de mortes anuais. Dito isso, pode se alegar que dietas vegetarianas e veganas precisam ser incorporadas pela sociedade, haja vista que suprem todos os nutrientes necessários a vida, são comprovadamente mais baratas e ainda diminuem os danos causados por anos de crueldade animal e ambiental.
Em segundo plano, na perspectiva social o aumento do consumo de ultraprocessados pela população marginalizada e o incentivo do capitalismo industrial no hábito “necessário” de ingestão de carne se relacionam, sendo aquele consequência deste, já que com o problema da concentração monetária, principalmente em países com forte desigualdade social, como o caso do Brasil, a elite econômica adquire alimentos de alto custo, como “regiões nobres” do gado, restando a população carente a compra de alimentos baratos ricos em subprodutos e derivados químicos que infelizmente possuem altíssimos teores de substâncias prejudiciais à saúde humana. Além disso, o esquecimento do papel da alimentação seria consideravelmente amenizado caso a realidade da indústria da carne fosse divulgada, haja vista todo cruel mecanismo de produção.
Portanto, fica claro que a diminuição do consumo de carne é indispensável para que haja futuras gerações. Para tanto, faz-se necessário a implementação, por meio do Ministério da Agricultura e Pecuária, de leis que imponham às empresas de fornecimento de carne maior transparência com o consumidor expondo o péssimo processo produtivo, além da fiscalização em áreas de queimadas para pastagens a fim de diminuir os impactos causados pelo anacrônico hábito de consumo.