O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual
Enviada em 08/12/2020
O famoso documentário “A carne é fraca”, realizado pelo instituto Nina Rosa, mostra a crueldade e o sadismo por detrás da alimentação carnívora ocidental e seu sistema de produção. Nesse âmbito, o filme alerta à sociedade sobre um grave problema mundial que proporcionará, cada vez mais, desastrosas consequências se não for amenizado: o exagerado consumo de carne enraizado na cultura mundial. Tal hábito promove um atroz impacto ambiental e problemas de saúde.
Em primeira análise, é explícito que a expansão da agropecuária muda frequentemente as paisagens e o cenário natural do Brasil, uma vez que esta respondeu por 74% das emissões de gases do efeito estufa nacionais, segundo o mais recente estudo realizado pelo SEEG (Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa). Além disso, a demanda global por carne está crescendo juntamente com a quantidade de pessoas no planeta, que, segundo a ONU, em 2050 terá nove bilhões de habitantes. Isso evidencia que, ao atender a demanda por carne com os padrões de consumo atuais, se resultará na destruição total das florestas, água e solo, pelo avanço da pecuária.
Em segundo plano, assim como Albert Einstein disse: “Nada beneficiará mais a saúde humana e aumentará mais as chances de sobrevivência da vida na Terra quanto a evolução para uma dieta vegetariana”. Ele não está errado, já que o excesso de carne está associado a uma série de doenças. A gordura saturada está ligada ao aumento de colesterol e problemas de circulação, além de alterações da microflora intestinal, favorecendo o câncer de intestino. Contudo, “O consumo equilibrado de carne pode melhorar o colesterol, já que 30% das gorduras da carne podem servir para o colesterol. Tanto o excesso quanto a ausência são desfavoráveis”, diz Celso Cukier, nutrólogo da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein.
Portanto, medidas são imprescindíveis para resolução do impasse. Sendo assim, é dever do governo, juntamente com o Ministério da Educação, oferecer um maior conhecimento sobre os hábitos alimentares na sociedade atual, por meio de integração de aulas e palestras nutricionais nas escolas. Além disso, é de extrema importância a extinção da elitização de produtos veganos, o que incentivará mudanças no consumo individual das pessoas e no compromisso de grandes produtores com uma preservação natural na agropecuária. Assim como disse o escritor Cesare Pavese, “Toda a arte é um problema de equilíbrio entre dois opostos.” e neste momento é imperativo o equilíbrio no consumo de carne do mundo, com objetivo de diminuir os impactos da pecuária na saúde pública, meio ambiente e clima.