O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual

Enviada em 08/12/2020

O consumo de carne no mundo aumentou nos últimos 50 anos. Sua produção hoje é quase cinco vezes maior do que no início dos anos 1960: de 70 milhões de toneladas, passou para mais de 330 milhões até 2017, segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Primeiramente, é necessário reconhecer os principais motivos que levam ao crescimento da demanda global por carnes, quais sejam: as diferenças nos hábitos alimentares com maior introdução de proteína animal, o aumento da oferta de carnes no mercado com a consequente redução dos preços e o crescimento da população urbana. Com relação ao aumento da oferta de carnes nos mercados, pode-se citar os seguintes motivos: a melhoria tecnológica na produção, a disponibilidade de grandes áreas para o abate dos animais, a redução de preços das rações e alimentos próprios para a criação de gado e a melhoria genética e hormonal dos animais.

A partir do momento em que ocorre desequilíbrio entre a oferta e a procura, verifica-se, de imediato, a elevação do preço das carnes e a substituição dos hábitos alimentares. Em relação ao crescimento da produção, pode-se ressaltar as seguintes consequências: aumento do desmatamento em função do crescimento das áreas de pastagens, maus tratos aos animais, quantidade significativa de emissão de gases poluentes na atmosfera, o que contribui para o aquecimento global e o uso indiscriminado de hormônios que prejudicam a saúde do animal e do consumidor.

Torna-se evidente, portanto, a adoção de medidas para a melhoria desse cenário. Dentre as soluções, pode-se citar: o aumento das informações através de campanhas, cartazes e pesquisas com o intuito de mostrar a real situação dessa atividade, a melhoria do sistema de fiscalização e monitoramento dos meios de produção, diversificação e aumento das opções de produtos do tipo vegetariano e vegano. Também, a substituição da proteína animal por proteína vegetal, como o grão-de-bico, ervilhas, cereais integrais, oleaginosas (castanhas, nozes…), leguminosas, entre outras diversas opções, são sugestões que, ao longo do tempo, contribuem para a melhoria da relação entre os consumidores e os produtores e assim, equilibrando o consumo de carnes.