O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual

Enviada em 03/01/2021

Ainda na pré história, a criação de pastos para pecuária, ao substituir a necessidade da caça, foi essencial para a sedentarização do homem. Nesse cenário, fica claro que o consumo de carne se relaciona com o funcionamento da sociedade. Desse modo, é imprescindível o debate acerca dos hábitos alimentares atuais. Para isso, deve-se considerar os efeitos ambientais da produção e consumo da carne, bem como as implicações na saúde da população.

A priori, cabe citar que a ampliação da pecuária, essencial para a expansão para o interior do território brasileiro durante a colonização, causa prejuízos ao meio ambiente, na atualidade. Nessa perspectiva, observa-se que o Brasil - por possuir o maior rebanho bovino voltado à produção de carne no mundo, de acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) - possui uma grande área ocupada por pastos. Nessa perspectiva, conforme dados divulgados pelo Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), o aumento das pastagens corresponde a 65% do desmatamento da floresta amazônica. Dessa forma, fica claro que o crescente consumo de carne, principalmente a bovina, afeta negativamente o meio ambiente ao prejudicar a maior floresta tropical do mundo, entre outras áreas como o Cerrado brasileiro.

Além disso, o excessivo consumo de carne pode proporcionar problemas de saúde. Por exemplo, a alta ingestão de carne vermelha é associada, pela OMS, ao aparecimento do câncer, devido ao processamento pelo qual esses produtos passam. Ademais, conforme apresentado no documentário “What the Health”, no qual são feitas entrevistas com os profissionais da área da saúde, a diabetes II está fortemente conectada ao elevado consumo de carne vermelha. Ou seja, a medida que esse artigo aumenta na mesa de diversas famílias ao redor do mundo, elevam-se, também, as inclinações a doenças que podem até mesmo levar ao óbito do consumidor.

Em síntese, compreende-se que as famílias, ao aderirem grandes quantidades de carne em seus hábitos alimentares, prejudicam o meio ambiente e colocam suas próprias saúdes em risco. Desse modo, é preciso que o Governo do Estado amplie as fiscalizações das áreas voltadas à pecuária, a partir da análise dos dados das propriedades e suas regularizações, com checagens constantes dos terrenos ocupádos, com o fito de mitigar a expansão ilegal dessas fronteiras. É preciso, também, que, em parceria com a mídia, ele divulgue medidas saudáveis de alimentação, como o Guia Brasileiro de Alimentação produzido pelo Ministério da Saúde em 2014, por meio de campanhas publicitárias voltadas a todas as idades, de modo que a população brasileira equilibre sua alimentação e diminua o consumo de carne. Dessa maneira, os efeitos desse produto serão suavizados e os brasileiros viverão com mais qualidade.