O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual
Enviada em 28/12/2020
Em meio a uma realidade catastrófica, o sentimento de esperança torna-se essencial para o processo de superação. Essa é a mensagem da obra “Guernica” do pintor Pablo Picasso, expressada, de forma metafórica, a partir de um candeeiro que ilumina um cenário de obscura destruição. É válido estabelecer uma analogia entre essa visão otimista e o consumo de carne no Brasil, uma vez que, diante deste impasse, acreditar em sua resolução pode “iluminar” a busca por soluções. Por esse viés, é imprescindível analisar os aspectos psicanalíticos e sociais que envolvem essa questão no país.
De antemão, vê-se que o Poder Público se mostra negligente ao não conscientizar a população acerca dos danos que o consumo de carne causa ao meio ambiente. Isso porque, com essa medida, uma pessoa pode ter interesse de se alimentar de carne bovina. Contudo, entender que há um alto índice de desmatamento das florestas para a criação de rebanhos tende a se apresentar como elemento de inibição. Esse cenário pode ser explicado por Sigmund Freud, pois, segundo sua teoria psicanalítica, um indivíduo sofre conflitos entre os impulsos inconscientes (Id) e a compreensão das limitações sociais (Superego).
Além disso, enfatiza-se que há uma certa resignação social perante o consumo de carne. Como prova disso, percebe-se a inércia de parte da sociedade ao não lutar por investimento financeiro, visto que faltam verbas para a contratação de médicos que cuidam de doenças ocasionadas pelo excesso de hormônios que são inseridos nos animais consumidos, comprometendo, dessa forma, o direito à saúde dos indivíduos. Considerando os estudos da filósofa Hannah Arendt para explicar essa naturalização, nota-se que a massificação social promove a alienação dos cidadãos, prejudicando, desse modo, o senso crítico deles.
Constata-se, finalmente, que o consumo de carne deve ser solucionado. Logo, é importante exigir do Estado, mediante debates em audiências públicas, a conscientização, priorizando projetos educativos realizados em praças públicas, com objetivo de informar a população sobre os malefícios que a produção de carne causa ao meio ambiente. Ademais, é fundamental sensibilizar a população, via campanhas midiáticas, promovidas por organizações não governamentais, a fim de que essa problemática não seja banalizada, o que pode ser potencializado por meio do Ministério da Saúde com o investimento financeiro em concursos para a contratação de médicos, objetivando, com isso, garantir o direito à saúde das pessoas. Desse modo, assim como na obra “Guernica”, seria possível “iluminar” o processo de superação desse impasse.