O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual

Enviada em 09/01/2021

O filósofo francês Sartre defende que cabe ao ser humano escolher seu modo de agir, pois esse seria responsável. No entanto, percebe-se a irresponsabilidade da sociedade brasileira no que concerne à questão do consumo excessivo de carne na alimentação. Com isso, urge refutar as causas envolvidas nesse hábito alimentar, como a devastação da natureza, em simetria com a lenta mudança de mentalidade social, para proporcionar uma alimentação equilibrada tanto para a população quanto para preservar os biomas naturais.

Em primeira instância, vale ressaltar que a preferência pela carne para a obtenção de proteína ocasiona uma agressão ambiental. Segundo dados do Jornal da Unicamp digital, 80% do desmatamento da Amazônia deve-se ao crescimento da dieta carnívora da população. Mediante esse panorama, nota-se que uma mudança de alimentação faz-se necessário, haja visto que o crescimento de áreas de pastos desemboca em destruição da mata nativa, o que prejudica não só a preservação do meio natural, mas também a destruição de muitos hábitats ecológicos, como os ninhos de araras presentes nas árvores da floresta. Portanto, o hábito alimentar relacionado à pecuária interfere significativamente no ecossistema brasileiro.

Paralelamente a isso, destaca-se a cultura herdada como motor propulsor da permanente alimentação à base de carne no prato brasileiro. Segundo Jonh Locke, nascemos com uma folha em branco, sem conhecimento e o adquirimos por meio da experiência. Diante do pensamento do sociólogo inglês, infere-se que, se uma criança permeia um ambiente onde os almoços e jantares apresentam carne diariamente, ela tende a atribuir esse componente em suas refeições perpetuamente por causa da vivência em grupo. Logo, o hábito alimentar cotidiano, transmitido de geração a geração, estimula a permanência da proteína oriunda da carne nos pratos nacionais.

Destarte, entende-se que a dieta carnívora, culturalmente difundida no país, provaca sérios danos às coberturas naturais. Assim, torna-se imperativo que as escolas ensinem seus alunos, desde a fase da Primeira Infância, a priorizar outras fontes de proteínas, como os ovos, por meio de aulas didáticas na cantina, para que a formação do cardápio destes diminuam a preferência por carne. Ademais, competem aos pais fazerem refeições com carne, com maior intervalo de tempo entre elas, para que a criança perceba que é desnecessário o consumo diário desse componente. Desse modo, não só a carne será minimizada nos pratos dos brasileiros, mas também grande parte da mata nativa será preservada no território nacional.