O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual
Enviada em 02/01/2021
Segundo a Sociede Vegana, fundada no Reino Unido em 1944, o Veganismo é um estilo de vida que busca excluir, na medida do possível, todas as formas de exploração animal. Nessa perspectiva, o consumo de carne é visto como cruel e, portanto, deve ser abolido. Porém, para além da empatia com os serem sencientes que é justa, é importante que se leve em consideração os impactos acarretados no meio ambiente e na saúde dos indivídos pelo consumo de tecidos de animais.
Em primeira análise, é inegável que atualmente o globo gira em torno da carne. Hodiernamente, segundo a agência educacional Kurzgesagt, 83% das terras agricultáveis do planeta são destinadas à pecuária. Essa situação é absurda, pois segundo a referida agência, menos de 5% do alimento consumido pelos animais é revertido em carne para o consumo humano. Ou seja: 95% dos recursos estão sendo desperdiçados. Para completar o cenário, segundo a Organização das Nações Unidas, 690 milhões de pessoas passaram fome em 2019. Com a redução da produção de carne, mais terras agricultáveis estariam disponíveis para a produção de outros alimentos e, consequentemente, seus custos seriam menos elevados. Assim, certamente essa tragédia poderia ter sido evitada.
Em segunda análise, é certo que o consumo de alguns tipos de carnes é maléfico à saúde. Segundo a Organização Mundial da Saúde, o consumo de carnes processadas não é seguro, visto que esse alimento é classificado como cancerígeno pela instituição. Isso se dá pela utilização de nitritos, substâncias conservantes que aumentam o tempo de prateleira desses gêneros alimentícios, os quais também são utilizados em enlatados. Infelizemente,segundo o IBGE, houve um aumento de 20% no consumo desse tipo de comida no país e uma redução de 50% no consumo de arroz e 40% no consumo de feijão em 2018. A partir dessa inversão nos hábitos alimentares dos brasileiros, segundo o Ministério da Saúde, mais da metade dos adultos da nação apresentam sobrepeso. Como consequência do desleixo com a alimentação, segundo o médico Drauzio Varella, tem-se o aumento de doenças crônicas como diabetes e pressão alta, o que causa a sobrecarga do sistema de saúde.
Dessa forma, a sociedade deve se mobilizar para diminuir seu consumo de carne. Como disse a monja Coen, “a maioria das pessoas ainda não pode optar pelo que vai comer”. Logo, cabe aos que podem escolher, reduzir o consumo de carne por meio da substituição desse alimento por outros que possuam nutrientes similares, tais como feijões e lentilha para reduzir os impactos ambientais e prevenir doenças como o câncer e a diabetes. Ademais, o poder legislativo deve legislar para sobretaxar os alimentos ultraprocessados, afim de desestimular seu consumo. Somente assim, um Brasil ambientalmente seguro e saudável poderá ser consolidado.