O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual
Enviada em 09/01/2021
Uma novela brasileira “Rei do gado”, a qual foi televisionada em 1997, conta a história de um fazendeiro, dono de uma propriedade com mais de duzentos mil gados para corte, retratando a elevada produção de carne na época. Hodiernamente, com um aumento populacional e hábito de consumo diário, por parte da maioria da população, a criação de animais para corte tem se expandido ainda mais, tanto para consumo interno quanto exportação. Nesse sentido, o consumo exacerbado de carne precisa ser discutido, posto que há como principais desafios o impacto ambiental da produção e os danos à saúde humana.
Primeiramente, a pecuária tem elevado impacto ambiental, uma vez que consome muita água potável, emite gases poluentes na atmosfera e provoca desmatamento para a formação de pastos. Para exemplificar , segundo uma notícia divulgada pela revista O Globo, em 2018, 80% do desflorestamento ocorridos entre 1990 e 2005 são destinados a criação de pastos. Além disso, a notícia publicou ainda que são necessários, em média, 15400 litros de água para a produção de um quilo de carne bovina. Assim, os hábitos alimentares precisam ser repensados, já que com o crescimento da produção, em resposta à ampliação da demanda, ocorre o da devastação ambiental.
Ademais,com o advento da Revolução Verde foi possível elevar a produção agrícola pelo uso de tecnologias capazes de melhorar a eficiência do plantio. No entanto, o emprego de agrotóxicos e, posteriormente, o uso desenfreado de hormônios e antibióticos nos animais destinados à alimentação humana se tornou um perigo à saúde dos cidadãos. Pois, estes insumosnão são completamente descartados do corpo do gado, suíno ou aves e acaba permanecendo no produto final, ou seja, ao consumir a proteína animal os indivíduos estão absorvendo alguns dos remédios empregados na produção. Como exemplo, uma pesquisa realizada pelo Instituto Butatã , em 2017, mostrou que o contato com antibióticos aplicados na pecuária estão levando a seleção de bactérias resistentes em humanos , demonstrando o perigo da aplicação de alguns insumos.
Portanto, medidas são necessárias para coibir esta intempérie. Assim, cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Agricultura , implementar leis de restrição a uso dos remédios que possam afetar a saúde humana e incentivar a prática de técnicas naturais por meio de leis específicas e mais rígidas e cursos , os quais devem ser ministrados por agrônomos especialistas na área, com o objetivo de reduzir os danos do consumo de carne à saúde humana. Além disso, cabe as ONGs , Organizações Não Governamentais , dedicadas a proteção dos animais , promover campanhas para reduzir o consumo entre a população.