O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual

Enviada em 12/01/2021

O surgimento da agricultura, ainda na pré-história, elevou a posição do homem de nômade para a de sedentário, contribuindo para a construção da humanidade. No entanto, mesmo com a descoberta do plantio de leguminosas, a “caça” aos animais continuou, aumentando sua demanda e colocando o homem como maior consumidor de espécies da pirâmide alimentar. Tal fato instaurou uma “cultura carnívora”, o que põe em discussão os hábitos alimentares da sociedade atual, que, devido a propagandas glamurizantes e exemplos mal difundidos, não parece pretender a diminuição essa atividade.

A priori, é de extrema importância compreender como a publicidade de redes de fast-food afeta a problemática. De acordo com o documentário “A Dieta do Palhaço”, os restaurantes de comidas rápidas fazem parte da dieta de 90% da população americana. Esse fator está fortemente ligado à quantidade de propagandas difusoras de um estilo de vida “perfeito” de consumo de hambúrgueres que essas redes promovem, prejudicando não apenas a saúde de seus consumidores, mas também a demanda disponível de carne no mercado. Desse modo, a fim de suprir ela, a injeção de hormônios no gado e o desmatamento de áreas florestais para o pasto aumenta, o que pode acarretar no desequilíbrio ecológico.

Vale ressaltar, ademais, a persistência do problema por causa de exemplos negativos, o que promove o excesso prejudicial de proteínas. Segundo o Ministério da Saúde, é recomendável ingerir entre 300 à 500 gramas de carne vermelha por semana - 71 gramas por dia. Todavia, a população brasileira, por possuir uma disponibilidade grande, se alimenta dela em todas refeições - 80% a mais do que o necessário, de acordo com a revista UOL. Isso afeta o imaginário das crianças, que crescem acreditando que esse tipo de prato é o único possível para saciar sua fome, se alimentando de forma inconsciente, podendo trazer riscos, como o câncer e a hipertensão.

Em síntese, fica evidente como o consumo exuberante de carne pode resultar em consequências ambientais  e sociais, sendo necessária uma intervenção. Cabe, então, que ONGs ambientalistas dilvulguem, através de redes sociais e cartazes publicitários, os males causados à natureza e à saúde dessa prática, de modo que a sociedade entenda sua responsabilidade. Tal ação deve, também, contar com informações sobre alternativas para a substituição de proteínas animais pelas derivadas de plantas. Com isso, a população poderá dar ainda mais importância para seu maior feito: a agricultura.