O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual

Enviada em 11/01/2021

“O pior mal é aquele visto como cotidiano”. A máxima da filósofa alemã Hannah Arendt aponta, segundo seus estudos, a indiferença da sociedade frente a certas questões. Nesse contexto, destaca-se o consumo exagerado de carne na sociedade que, hodiernamente, influencia em questões ambientais e sociais como o desmatamento de reservas florestias. Esse é um problema que está diretamente relacionado à realidade do Brasil, seja pela negligência governamental, seja pela indiferença social.

A princípio, é incontestável que a inoperância governamental esteja entre as causas do problema. Inegavelmente, poucas são as políticas públicas que impõem restrições à produção de carne no Brasil, fazendo com que cada vez mais áreas de floresta sejam transformadas em pasto. Nesse prisma, de acordo com o filósofo Johm Locke ocorre uma quebra do “contrato social” já que o Estado não cumpre sua função constitucional de proteger o meio ambiente. Decerto, isso ser verifica na pesquisa realizada pelo grupo ambientalista Greenpeace, em 2019, que diz que a pecuária é o principal fator que contribui com o desmatamento. Essa informação comprova que as ações do governo ainda são insuficientes para sanar o problema.

Outrossim, destaca-se a cultura da ignorância perpetuada por parte da sociedade que não entende os malefícios do consumo exagerado de carne e acabam por não buscar alternativas mais sustentáveis para o consumo de proteínas. Isso está de acordo com o pensamento de A. Schopemhauer de que os limites do campo da visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo que o cerca. Tal fato pode ser observado na elevada produção de carne bovina no país que ultrapassou a marcar dos nove milhões de toneladas entre 2010 e 2012, segundo a pesquisa realizada pela Organização das Nações Unidas (ONU). A Falta de instrução coloca a população em ciclo vicioso de consumo e pode gerar um prejuízo social incalculável.

Diante desse cenário, é mister que o Senado Nacional, promova a melhor regularização da produção de carne no país, por meio da criação de uma lei que limite a expansão desenfreada dos pastos, a fim de minimizar os problemas ambientais vinculados ao desmatamento, sendo isso necessário para minimizar os prejuízos causados pela produção sem controle de carne no Brasil. Além disso, palestras devem ser realizadas, a fim de orientar a população sobre a importância de ter hábitos alimentares alternativos ao consumo de carne, para que, gradativamente, esse imbróglio deixe de ser indiferente para a sociedade segundo o pensamento de Hannah Arendt.