O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual
Enviada em 08/03/2021
Segundo dados elaborados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o Brasil é o maior exportador global de carne bovina. Esse dinamismo comercial é fruto do avanço das fronteiras agrícolas, realizado pelos desmatamentos ilegais e pelo esvaziamento dos recursos hídricos para abastecer o setor econômico pecuário. Todavia, essas ações são maléficas tanto para a natureza como para a economia do país, as quais são capazes de trazer desastres ambientais e econômicos para a realidade brasileira.
Primeiramente, é cabível ressaltar que o consumo exacerbado de carnes agride forçadamente o meio ambiente nacional. Isso ocorre devido ao contínuo desmatamento de florestas brasileiras pelos agropecuários com a finalidade de fomentar a produção desse mercado alimentício. Conforme um levantamento do Instituto Amazon, em 2020, mais de 8 mil quilômetros da floresta amazônica foram destruídas para criar pastos e, também, plantar soja, a qual irá servir de alimento para os bois e para as vacas. Dramaticamente, esse fenômeno degradante incentiva a procura demasiada de carne bovina pela população. Dessa forma, há o aumento da emissão de gases tóxicos resultantes das queimadas florestais, o que prejudica a fauna e a flora locais, além de contribuir com o aquecimento global.
Além disso, essa preferência pela carne vermelha por parte dos brasileiros pode culminar em uma crise fiscal na economia do país. No contexto histórico da Crise de 29, ocorrida nos Estados Unidos, houve uma superprodução de produtos básicos, como os cereais, os quais não foram devidamente comprados pelos cidadãos americanos. Essa falência mercadógica gerou a desvalorização da moeda estadunidense, ou seja, promoveu o aumento da inflação e dos juros, abalando completamente a estabilidade econômica do país. Nesse sentido, esse cenário econômico corre risco de se repetir no Brasil; isto é, com a alta e permanente demanda por carnes bovinas e com a diminuição da oferta desses gêneros alimentícios, o poder de compra das pessoas de outros produtos cairá. Dessa maneira, haverá o crescimento drástico da inflação, o que provocará uma crise financeira na nação brasileira.
Portanto, cabe ao Ministério do Meio Ambiente, por meio de decretos governamentais, coibir as constantes degradações florestais que buscam a criação de soja e de gados. Isso será feito pelas forças policiais e jurídicas, as quais, em conjunto, irão fiscalizar e punir quem praticar o desmatamento ilegal no país. Ademais, é dever do Estado fazer campanhas publicitárias na televisão e na internet com o objetivo de esclarecer a sociedade sobre os riscos negativos que o excesso de consumo de carnes vermelhas provocam ao meio ambiente e à economia do Brasil. Assim, a natureza será conservada e respeitada, além de evitar uma catástrofe econômica similar à Crise de 29 no Brasil.