O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual

Enviada em 21/05/2021

Problemas cardíacos, alterações hormonais, desastres ambientais. Diversos são os impactos causados pelo crescente consumo de carne na sociedade atual. Desse modo, optar por um tipo de alimentação diferente pode ter a ver com escolhas mais conscientes a respeito do papel que se tem no mundo enquanto ser humano e cidadão. Nesse contexto, é fundamental o debate sobre a necessidade de mudança das formas de produção agropecuária e dos hábitos alimentares do povo.

Em primeiro lugar, com o cresimento exponencial da população nas últimas décadas, a demanda mundial por carne pode chegar a um aumento de aproximadamente 34% até 2023, segundo o setor de Projeção do Agronegócio do MAPA – Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Assim sendo, a criação de animais afeta diretamente ao meio ambiente, pois o desmatamento gerado para manter a pecuária e a agricultura em larga escala, colabora para a perda de florestas, da biodiversidade local e consome boa parte dos recursos hídricos. Por isso, é essencial refletir sobre os limites dessa produção, pensando em modelos mais responsáveis e menos impactantes.

Além disso, o nutricionista argentino Cecílio Morón, oficial da agência da Organização das Nações Unidas (ONU) que cuida da alimentação, afirma não ter dúvidas da relação entre gordura saturada e doenças cardiovasculares. Ademais, o uso de hormônios para engorda animal e de produtos geneticamente modificados, podem gerar outras doenças como obesidade, deficiência nutricional e até mesmo câncer. Nesse viés, reduzir o consumo de carne é também uma questão de saúde - ao optar por novos hábitos alimentares o indivíduo corre menos risco de desenvolver algum tipo de comorbidade.

Diante do exposto, reforça-se a ideia de que é preciso ter mais consciência a respeito do consumo animal. Assim, para preservar o meio ambiente e cuidar da saúde dos cidadãos, é necessário seguir a recomendação dada pelo Greenpeace, e reduzir em 50% o consumo de carne e derivados até 2050. Logo, os Governos Federais, devem fazer campanhas, através das redes mundiais de comunicação, para conscientizar produtores e consumidores a respeito das vantagens dessa redução. Paralelamente a isso, os agropecuaristas devem assumir o compromisso com uma produção menos impactante ao meio ambiente.