O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual
Enviada em 13/10/2021
O documentário “Cowspiracy” enfoca um problema global que permanece sob as sombras dos interesses econômicos envolvidos: o consumo de carne e a criação de gado estão destruindo o meio ambiente. Em vista disso, o uso de carne para a alimentação é uma questão social que gera polêmicas acerca dos hábitos alimentares e da viabilidade deles. Desse modo, no Brasil, o consumo do produto referido é exorbitante e culturalmente assimilado, quase sem questionamentos, por isso precisa ser racionalizado, para que debates incitem o senso crítico dos consumidores e consequentes mudanças de atitude, em nome do desenvolvimento sustentável da economia, da sociedade e da natureza.
Nesse sentido, devido à prática recorrente e histórica na sociedade brasileira, o consumo de carne é um problema silencioso, pois está no âmbito do que Max Weber caracterizou como “ação tradicional”, ou seja, emotiva e inconsciente, movida por costumes preexistentes. Ademais, o debate sobre os hábitos alimentares é crescente, o assunto sobre a procedência dos alimentos está aflorando, assim como o número de vegetarianos em 2020, segundo o IBGE, apesar de ainda ser uma minoria. Em suma, esse debate racional é indispensável para sair da inércia de um consumo prejudicial, pois além do contexto individual, os problemas advindos do consumo de carne são enormes e as justificativas frágeis — a exemplo da necessidade de proteínas e vitaminas “exclusivas” dos tecidos “vivos”.
Da mesma forma, os problemas sociais acarretados pela pecuária são nefastos, pois atingem a política, a natureza e a economia. A dependência brasileira da exportação de commodities prejudica todo o país, desde as populações ameaçadas por latifundiários e agropecuaristas, até a escassez de água e de chuva, devido à interrupção do ciclo da água na desmatada Floresta Amazônica, em comunhão com governantes corruptos e práticas extensivas para o tratamento e criação de animais para o abate, segundo dados demonstrados pelo The Guardian. Assim, a discussão sobre os hábitos alimentares, especialmente relacionados à carne vermelha, desde a procedência deles até sua viabilidade, concerne toda a sociedade, em maior ou menor grau, e precisa ser priorizada, uma vez que esse consumo ameaça a vida humana na Terra, tendo em vista os efeitos colaterais mencionados.
Portanto, com base na tese defendida, compete ao governo, em parceria com as ONGs, mudar o estilo de produção de carne para um mais orgânico, além de incentivar o debate acerca desse consumo. Isso pode ser feito por meio do desenvolvimento tecnológico e da manutenção de leis eficazes para a pro-teção de recursos naturais e do bem-estar dos animais, visando, em um primeiro momento, a uma alta produtividade. Enfim, por intermédio de campanhas midiáticas nacionais eficazes e acessíveis, uma mudança drástica poderá ser operada na sociedade, que garantirá a sustentabilidade presente e futura.