O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual

Enviada em 04/08/2021

O filme “Okja”, produzido pela Netflix, retrata uma realidade distópica a qual fazendeiros do mundo todo criam porcos geneticamente modificados a fim de aumentar a produção e consumo de carne. Nesse sentido, a neta de um fazendeiro cria laços emocionais com o animal e embarca em uma jornada para evitar que ele seja abatido. Fora da ficção, o aumento do consumo de animais faz-se presente, assim como os impactos causados por essa prática. Dessa forma, o debate sobre a dieta carnívora demonstra-se necessário para a diminuição desse costume e de seus malefícios, embora, por propagação de hábitos, o estímulo a tal reflexão não seja feito.

Inicialmente, deve-se ressaltar a pertinência da discussão sobre o excessivo uso de carnes na alimentação a fim de tornar os consumidores conscientes com o meio-ambiente, levando-os a minimização de tal dieta. Sob tal perspectiva, o indivíduo deve debater tal prática a fim de compreender a prejudicialidade de seus hábitos. Segundo a teoria socrática, debatendo e refletindo o cidadão exerce a maiêutica, que é o esclarecimento das ideias. Analogamente, com a reflexão sobre a ingestão exagerada de derivados animais, o consumidor poderá quebrar maus hábitos e criar consciência.

Todavia, raízes culturais presentes na sociedade brasileira, por exemplo, criam indivíduos com dificuldade de refletir e quebrar os maus hábitos. Sob esse viés, costumes, como a cultura do churrasco, reforçam o consumo de carne desde a infância. De acordo com o Dr. Dráuzio Varella em seu artigo “Violência Epidêmica”, o comportamento das crianças é feito por repetição. De tal forma, caso a discussão e reflexão acerca da dieta carnívora não forem estimuladas desde a infância, tal consumo continuará sendo repropagado assim como seus impactos.

Portanto, medidas capazes de mobilizar a discussão acerca dos hábitos alimentares devem ser tomadas. Para tal, o Ministério da Educação deverá implementar na grade curricular de ensino aulas de educação e conscientização alimentar nas escolas por meio de proposta de Lei entregue à Câmara dos Deputados. A partir disso, tais aulas deverão ocorrer semanalmente e a fim de barrar a propagação de costumes, as crianças tornarão-se indivíudos conscientes e cultivarão uma sociedade distante do consumismo animal retratadoem “Okja”.