O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual

Enviada em 12/08/2021

No filme americano “Okja”, é retratada a vida de uma nova espécie transgênica criada para a produção em massa de carne, o que acarreta em sérios problemas ambientais e éticos para o planeta. Fora da ficção, a vida imita a arte e faz-se reflexo na sociedade vigente: a pecuária, mesmo trazendo sérios problemas ambientais, tem sua existência e crescimento garantidos pelos maus hábitos alimentares da população. Nesse sentido, o modo de produção capitalista e o sistema de ensino arcaico são entraves para a mitigação do óbice. Urge, destarte, que haja uma discussão acerca do consumo de carne para que um cenário negativo não mais seja realidade.

Mormente, o modelo capitalista, ao visar somente o lucro e ignorar as consequências ambientais, caracteriza-se como um sério condicionador e agravante do problema. Consoante o documentário estadunidense “Cowspiracy”, a maior responsável pelas mudanças climáticas decorrentes da poluição e desmatamento é a indústria agropecuária.  Nesse quadrante, o problema final não está no ato de comer a carne, mas no processo necessário para cometê-lo, uma vez que esse é extremamente prejudicial à natureza. Evidencia-se, então, o quão prejudicial é a manutenção dos hábitos alimentares excessivamente carnívoros da população, ao financiar essa indústria, para o meio ambiente.

Outrossim, ao não trazer o debate ambiental no âmbito acadêmico, tampouco a educação nutricional básica, o atual modelo educacional auxilia a perpetuação dessa cultura alimentar. Tal cenário reforça a ideia posta pela teórica Maria Vera Candeau, que afirma que o sistema educacional está preso nos moldes do século XIX e não oferece propostas significativas para as inquietações hodiernas. Nesse contexto, não é ensinado na escola de forma suficientemente efetiva quais os melhores alimentos para o consumo humano, além dos benefícios e malefícios para o planeta e a sociedade. Desse modo, a omissão desses tópicos na Base Comum Curricular corrobora a manutenção de hábitos alimentares prejudiciais não somente para o indivíduo, mas também ao coletivo.

Portanto, o consumo exacerbado de carne precisa ser mitigado. Posto isso, cabe ao Ministério do Meio Ambiente estancar o crescimento excessivo da indústria agropecuária, mediante sanções econômicas, como aumento de impostos, a fim de amenizar seus danos ao país. Ademais, o Ministério da Educação deve, mediante alterações na Base Comum Curricular, inserir disciplinas importantes, como nutrição básica e sustentabilidade, com professores capacitados, a fim de reduzir o consumo de alimentos prejudiciais ao planeta. Feito isso, poder-se-á observar o país em progresso, e a realidade vista em “Okja” ficará restrita à ficção.