O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual
Enviada em 03/10/2021
A Constituição Federal de 1988, documento de máxima autoridade jurídica no país, prevê, no Artigo 225, que um meio ambiente ecologicamente equilibrado é um direito dos cidadãos, além de impactar na qualidade de vida. Diante disso, o aumento do consumo de carne evidencia uma questão social quando ameaça a homeostase da dinâmica entre fauna, flora e população.Com isso, seja pelo desrespeito à vida animal, seja pelos impactos sociais, as escolhas alimentares da atualidade precisam ser questionadas e modificadas.
Sob tal ótica, considerar a vida animal inferiro à vida humana facilita a banalização do consumo de carne. Segundo o filósofo australiano Peter Singer, o princípio ético que rege as decisões dos indivíduos deve ser extrapolado para direcionar a forma de lidar com os direitos animais. Nesse sentido, o aumento da demanda de alimentos pecuários significa maior uso de hormônios e tratamentos intensivos para engordar o bicho. Tais técnicas antrópicas, que visam reafirmar o controle do Homem, não só abalam o ecossistema terrestre - em que a fauna é parte constituinte importante - como também impacta na saúde física da população que se alimenta desses tecidos.
Por outro lado, sendo a pecuária conhecidamente a principal causa do desmatamento da Amazônia, essa prática alimentar coloca em risco o meio ambiente em que se vive. Apesar de ser garantia constituicional, a preservação e o equilíbrio dos espaços vegetais são frequentemente desconsiderados por interesses econômicos e políticos de agentes nacionais e internacionais. A partir disso, quando o filósofo alemão Hans Jonas defende que o julgamento ético de uma ação deve atentar aos efeitos de curto e longo prazo, evidencia-se que os governantes brasileiros, legitimados pela omissão da sociedade, atuam de fora antiética, pondo em risco a existência de recursos para as futuras gerações.
Infere-se, portanto, que o crescente consumo de carne precisa ser questionado e modificado. Logo, cabe às rganizações Não Governamentais relacionadas aos direitos dos animais conscientizar a população, por meio de posts e vídeos especificamente com depoimentos de profissionais veterinários, acerca dos maus tratos na manipulação do bicho, a fim de mobilizar mais indivíduos para o estilo de vida vegetariano. Ademais, cabe à população exigir das autoridades políticas o cumprimento de seu direito constitucional a partir de medidas protetivas do meio ambiente. Assim, hábitos alimentares não perturbarão a homeostase socioambiental do Brasil.