O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual

Enviada em 01/10/2021

Sabe-se que é primordial rever hábitos sociais de tempos em tempos. Nessa perspectiva, o consumo de carne tem se tornado cada vez mais um ponto de debate entre as pessoas, tendo o movimento vegetariano como mais expoente da discussão. No entanto, a fome ainda é um problema estrutural da sociedade moderna, e pessoas famintas não escolhem o que comer, pois elas não gozam da variedade de alimentos necessária para isso. Destarte, é preciso que o Estado promova políticas públicas, a fim de sanar a fome, e que as outras instâncias debatam acerca do consumo de carne.

Em primeira análise, é fulcral investigar o consumo de carne não só como uma questão social, mas também como uma questão econômica. Segundo o Portal de notícias G1, o consumo de carne no Brasil caiu ao menor nível em 25 anos. Entretanto, esse índice prova que as pessoas diminuíram o consumo de carne pela inflação, não por opção, que seria o cerne. Sob esse viés, observa-se também os famintos, que entram na fila de osso a fim de obter uma proteína. Antes de se discutir formas alternativas de consumo, é ideal que se discuta a qualidade de consumo das famílias brasileiras. Dessa maneira, urge que haja um plano de educação alimentar e de combate à pobreza.

Paralelo a isso, questões como o vegetarianismo e o veganismo são estereotipadas na sociedade. “Tão importante quanto o que se ensina e se aprende, é como se ensina e como se aprende”. A frase do psicólogo espanhol César Call aplica-se bem para exemplificar o erro de abordagem que há no debate sobre a diminuição do consumo de carne. Sob este prisma, os movimentos supracitados são tachados como elitistas e excludentes no debate social, mas isso não confere, tendo em vista que frutas e verduras têm um preço mais acessível do que a carne, fazendo desse mito um ideário que contribui para o consumo desenfreado de carne. Deste modo, é imprescindível que as escolas e a mídia desmistifiquem este assunto.

Diante dos fatos expostos, é necessário, portanto, que o Ministério da Agricultura, em parceria com o Ministério da Economia, por meio um projeto nacional de revisão de hábitos de consumo, desenvolva um plano que una a reeducação alimentar, o combate à pobreza e o consumo consciente de derivados de carne, com vistas a propiciar que os mais pobres diminuam o consumo de carne por opção. Esse projeto contaria com a ampliação de programas sociais, como o Renda Brasil, e com a volta do programa Fome Zero, que deve focar na inserção de alimentos orgânicos e de origem vegetal.  Outrossim, as escolas e a mídia devem, por meio de palestras e de programas educativos, debater o consumo de carne sem estereótipos. Assim, o Brasil conseguirá formar uma sociedade mais consciente.