O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual
Enviada em 06/04/2022
O autocontrole era uma das características da escola filosófica Epicurismo, na qual, até as refeições deveriam ser consumidas com moderação. Dessa maneira, o indivíduo alcançaria o bem. Porém, atualmente, os hábitos alimentares sociais em relação ao consumo de carne geram consequências negativas na economia e no meio ambiente, e, seus impactos – insegurança alimentar e escassez hídrica - afetam diretamente a população. Por essa razão, é importante a promoção da reestruturação alimentar para se viver bem, assim como no Epicurismo.
De início, é importante discustir sobre a diminuição no consumo de proteína animal nas refeições. Segundo a EMBRAPA, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, nos próximos 30 anos, a produção de carne não atenderá à demanda da população mundial, visto que, a taxa de natalidade aumentará em descompasso com a produção pecuária. Isto posto, a necessidade por proteína animal irá elevar os preços desse insumo, então, a inflação - aumento dos preços na economia - diminuirá o poder de compra de famílias em situação de vulnerabilidade econômica, o que influencia no perigo nutricional desse grupo social.
Ademais, moldar essas convenções nutritivas é importante no meio ambiental. A Organização das Nações Unidas divulgou em sua pesquisa que cerca de 20% da quantidade de agrotóxicos usados nas lavouras se concentra em fontes de água potável. Com isso, o aumento do consumo de carnes provoca, através desses pesticidas usados na produção de insumos pecuários, a diminuição da água disponível para consumo. Dessarte, sua escassez resulta no acesso desigual a ela, impactando também as famílias de baixa renda, que além de estarem sujeitas a problemas nutricionais, são as com menor acesso à água tratada, representando 35% da população mundial, conforme dados da Organização Mundial da Saúde.
Logo, é dever dos órgãos nacionais de saúde disponibilizar à população consultas com nutricionistas. Estas - serão realizadas presencialmente nos distritos dos países e online, para pessoas com problemas na logística -, por meio de um plano de refeições que usa proteína vegetal invés da animal, Irão estruturar novos costumes alimentícios e garantir qualidade de vida a sociedade.