O consumo de carne como questão social: a importância de se discutir os hábitos alimentares na sociedade atual
Enviada em 04/07/2023
Segundo uma matéria publicada pela Revista Piauí, desde 2008, a má alimenta-ção no Brasil cresce ano após ano, causada pelo consumo de ultraprocessados e aumento no preço de produtos alimentícios. Sob essa ótica, vale analisar o consu-mo de carne como questão social, em um país que 8% do PIB está concentrado nessa economia ligada intrinsecamente a alimentação do povo brasileiro. É impor-tante notar, diante disso, que o problema do consumo de carne no Brasil está rela-cionado não só à questão social, como também à insegurança alimentar.
Em primeiro lugar, é pertinente o debate acerca da carne e seu impacto na so-ciedade brasileira. Como conta Celso Furtado em “Formação Econômica do Brasil”, o pecuária fez parte da economia brasileira desde os tempos coloniais. Contudo, a carne era consumida sobretudo pela burguesia agrária, ficando aos escravos e ho-mens livres pobres as sobras de piores qualidades. Atualmente, o quadro perma-nece o mesmo, como mostra a matéria supracitada: famílias pobres comem as pio-res e ultraprocessadas carnes do mercado para conseguirem suprir sua necessida-de protéica. Logo, o problema da carne é também um problema social, atingindo somente as classes mais vulneráveis do espectro econômico.
Outrossim, ao falar de hábitos alimentares no Brasil, devemos citar a inseguran-ça alimentar. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística: 14 milhões de pessoas no Brasil vivem em insegurança alimentar (2022). Tal fato, agravado na pandemia do COVID-19, é retrato de uma sociedade desigual, faturando enormes lucros com o agronegócio - 24% do PIB - que não são convertidos em benefícios para a própria população, como a redução no preço das carnes, que cresce a cada ano. Logo, nota-se que a insegurança alimentar pode e deve ser combatida.
Portanto, medidas devem ser tomadas para reverter os problemas citados. Po-dendo se tornar um ator nessa mudanda, o Governo Federal - dotado de ferramen-tas de alcance nacional - pode realizar um plano de combate ao aumento dos pre-ços de produtos orgânicos, com incentivos fiscais à sua produção, diminuindo as-sim o seu preço final. Ademais, um plano econômico entre governo e empresários do agronegócio, com a meta de reinvestimento em infraestrutura nacional, pode ressultar em bons proveitos. Assim, teremos um país mais saudável e humanitário.