O crescimento do comércio virtual no Brasil
Enviada em 03/09/2020
Martin Heidegger, filósofo alemão, alertou, em 1950, que o pensamento computacional torna-se-ia uma forma prevalente de pensar. Tanto que, na contemporaneidade, de fato, o comércio virtual é uma maneira de ratificar a hipótese proposta por Heidegger. Nesse sentido, ao analisar o crescimento dos negócios eletrônicos no Brasil, verifica-se, no tecido social, não só a prevalência da exclusão digital, como também a falta de efetivação das garantias constitucionais.
A princípio, a Terceira Revolução Industrial, iniciada no século passado, aliou conhecimento científico com inovações tecnológicas. Tal cenário, portanto, propicia a realização de compras e serviços, mediante sites e plataformas virtuais, principalmente, na conjuntura atual, permeada pela pandemia do coronavírus. No entanto, os dados divulgados pelo IBGE- Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística- relatam que um em cada quatro brasileiros não possui acesso à internet. Evidenciando, assim, a máxima de Pierre Lévy ‘‘Toda nova tecnologia cria seus excluídos’’. Dessa maneira, observa-se que o crescimento do comércio digitalizado não acontece de forma plena, dado que a exclusão digital coibe a participação de muitos brasileiros.
Outrossim, a partir da interpretação da Constituição Federal, observa-se que é dever do Estado garantir um ambiente equilibrado para todos os cidadãos. Entretanto, a realidade expõe uma contrariedade. Esse paradoxo expressa-se, na verdade, à medida que o comércio virtual não é propício aos comerciantes que não possuem familiaridade com o mundo virtual, além da falta de políticas públicas realizadas pelos governantes, com o fito de mitigar tal emblema. Nessa perspectiva, os fatos expostos ecoam o Enigma da Modernidade, do filósofo Henrique de Lima, o qual elucida que, apesar de a sociedade ser avançada em suas razões teóricas, é, por sua vez, primitiva em suas razões éticas. À vista disso, nota-se que a dissonância entre os dispositivos da Carta Magna e a narrativa factual é uma questão que precisa ser solucionada.
Logo, é fundamental que o Poder Executivo, por meio de verbas governamentais, realize programas que venham a disponibilizar internet gratuita destinada àqueles que não possuem tal serviço, a fim de dirimir o cenário de exclusão digital. Para tanto, é importante um mapeamento logístico que identifique tais indivíduos e, consequentemente, disponibilizar tal acesso. Ademais, é imprescindível que o Terceiro Setor, aliado à mídia, desenvolva campanhas publicitárias, por intermédio de depoimentos de cientistas sociais, que expliquem os deveres do Estado, com o intuito de que haja efetivação das garantias constitucionais. Dessa forma, resolver-se-ão os dilemas oriundos do crescimento do comércio virtual no Brasil.