O crescimento do comércio virtual no Brasil

Enviada em 03/09/2020

Os millennials são a maioria dos consumidores virtuais do país, seguidos de perto pela geração Z, ambas gerações concebidas em um mundo com internet. Não à toa adaptaram-se à rede mundial de computadores e dominam os perfis das redes sociais, naturalizando a venda e o consumo de produtos na modalidade virtual. Essas gerações são as responsáveis pelo fortalecimento do comércio virtual, em razão das características essenciais da relações contemporâneas e do local no qual elas majoritariamente ocorrem: as redes sociais.

Inovações tecnológicas permitiram a ascensão da internet e inclusão dessa ferramenta nas atividades diárias dos indivíduos, alterando sobremaneira a forma de consumir. Hoje é possível comprar com um clique, através de uma tela e com suporte de um robô, evidenciando a modernidade líquida de Bauman, na qual os indivíduos constroem suas identidades através do consumo. A compra virtual é uma relação fluída, sem qualquer intenção de aproximação, finalizada em segundos para satisfação do indivíduo, que torna-se consumidor em tempo integral.

A liquidez das relações sociais contemporâneas ocupam em massa o mundo das redes sociais e, são nesses perfis que ocorrem parte considerável do fenômeno da compra virtual. Ao que parece, o primeiro passo para se ter um negócio não é mais a solicitação de um cadastro nacional de pessoa jurídica, mas a criação de um perfil comercial no instagram, com detalhes dos produtos oferecidos e negociação da compra pelo direct de mensagens, ratificando o poder dessa ferramenta social na nova realidade de consumo. Contudo, na palavras do geógrafo Milton Santos, o consumismo é o fundamentalismo desses tempos, e para isso é necessário apropria-se da própria vontade para não consumir impulsivamente por influência das postagens patrocinadas da rede.

É preciso reconhecer e adaptar as relações jurídicas aos novos fatos sociais, a medida que as mudanças ocorrem e tornam-se realidades. O boom do comércio virtual trouxe vantagens e facilidades para as pessoas, e para a manutenção dos efeitos salutares é necessário que o Governo Federal, junto ao Congresso Nacional, inicie a discussão de uma legislação federal que regulamente as relações jurídicas provenientes do comércio virtual, com a finalidade de garantir os direitos dos consumidores virtuais e o atendimentos à legislação trabalhista vigente. Importa ainda investir, através da atuação do Ministério da Educação junto as esferas estaduais e municiais, na introdução do ensino de consumo virtual nas escolas, para a formação de crianças e adolescentes conhecedores de seus direitos e deveres. Dessa forma é possível adaptar-se a realidade do consumo virtual crescente, e utilizá-lo de forma saudável e sem excessos.