O crescimento do comércio virtual no Brasil

Enviada em 05/09/2020

Durante a Baixa Idade Média, houve a transformação socioeconômica de uma sociedade que deixava de trabalhar para subsistência e começava a ganhar uma consciência mais capitalista. Nesse sentido, o surgimento de novas formas de comércio é o fluxo natural a ser seguido, pois entende-se a mudança como constante ao longo da História. Assim, o crescimento do comércio virtual no Brasil extrapola a esfera unicamente econômica e deve ter suas causas e consequências analisadas.

A princípio, segundo o filósofo Theodor Adorno, as transformações em escala industrial são fruto da demanda da sociedade. Dessa forma, o comércio virtual, ou “e-commerce”, sofre dilatações que refletem as mudanças sociais, como a pandemia do novo coronavírus, em 2020, por exemplo, a qual teve como consequência o aumento do número de negócios brasileiros que migraram do meio físico para o virtual. Com isso, fatores como globalização, influenciadores digitais, acessibilidade à internet etc. moldam um público consumidor que se desenvolve junto aos avanços tecnológicos, uma vez que as esferas econômica, social, tecnológica e científica não são estáticas, mas dinâmicas, e interagem entre si.

Além disso, o autor de ficção-científica Philip K. Dick narrou, no conto “Autofab”, o resultado distópico de uma cidade causado pelo controle global do mercado por uma única empresa. Apesar de se tratar de ficção, assim como no mundo físico, o comércio virtual também é dominado por monopólios – como Amazon, Netflix, Apple etc. –, os quais têm condições financeiras de proporcionar fretes e preços mais baratos. Entretanto, microempreendedores, donos de pequenos negócios, também são afetados por essa “modernização forçada”, e aqueles que conseguem se adaptar à nova realidade são beneficiados pelo lado positivo do “e-commerce”: maior acessibilidade, rede de contatos e diminuição de custos com mão-de-obra e infraestrutura. Logo, é necessário garantir o equilíbrio sustentável desse mercado online.

Portanto, o crescimento do comércio virtual no Brasil faz parte das transformações socioeconômicas ao longo da História e deve ser acompanhado com as intervenções necessárias para seu bom funcionamento. Dessa maneira, o Estado deve investir em melhores condições para o transporte de encomendas e lojas virtuais, por meio da construção de sistemas interligados de transportação ágeis – como ferrovias –, para baratear o frete e acelerar a entrega dos produtos, e de incentivos aos microempreendedores – como aulas gratuitas de “e-commerce” –, a fim de mantê-los no mercado.  Com isso, será possível para o Brasil aproveitar essa nova transformação e se desenvolver com ela.