O crescimento do comércio virtual no Brasil
Enviada em 11/09/2020
À priori, o crescimento do comércio virtual no Brasil é visto como algo que só traz benesses, pois, mostra uma suposta dinamização do consumo e reaquecimento do mercado. Porém, à longo prazo o e-commerce agrava a desigualdade social. Dois fatores podem ser destacados nessa conjuntura: o crescente desemprego estrutural, juntamente com a condição de que o modelo online favores os grandes conglomerados.
Dessa forma, é importante salientar que o alavancamento do comércio digital alicerça o desemprego sistêmico. Visto que, a robotização dos atendimentos despreza a necessidade de vendedores humanos. Assim aumentando a margem de lucro de empresas que demitem seus vendedores, tentando oferecer preços mais atrativos. Consequência disso é a migração de marcas para o ambiente digital, fechando suas lojas físicas, porém não conseguindo competir com os tubarões do mercado. Exemplo claro dessa conjuntura se encontra no setor de livrarias no Brasil, que vão fechando pela impossibilidade de competir com a gigante Amazon.
Além disso, é inegável que o ecossistema online favorece os grandes negócios e facilita o aglutinamento dos menores. Visto que, o acesso à bancos de dados pagos possibilita um maior bombardeamento publicitário direcionado das grandes marcas. Essa lógica encontra eco no pensamento de Bauman que afirma, ‘’na era da informação invisibilidade é equivalente à morte’’ que demonstra no fechamento de empreendimentos menores pela sua impossibilidade de competir com o alcance publicitário de macro empreendimentos.
Conclui-se que, de forma incontestável, que a ampliação do e-commerce perpetua a desigualdade social. Dessa forma, urge a necessidade da ação do Governo Federal, junto ao Ministério da Educação a criação e oferta de cursos para a capacitação dos trabalhadores, como de social media e programação, com finalidade de combater a ‘‘obsolescência programada’’ do proletário brasileiro. Além disso, o Ministério da Economia deveria criar um plano de incentivo fiscal à pequenas empresas online, possibilitando-as à oferecerem preços mais competitivos e um maior investimento em propaganda, para que essas não fossem devoradas pelos peixes maiores surfando na internet.