O crescimento do comércio virtual no Brasil

Enviada em 13/10/2020

Trem, avião, internet. Essas são algumas das invenções, das Revoluções Industrias, responsáveis por tornar o transporte mais rápido e eficiente, bem como permitir a transmissão praticamente instantânea de informações. Contudo, apesar das vantagens, como a maior facilidade de comprar e vender, surgiram também novos problemas a serem superados. Sob tal ótica, o crescimento do comércio virtual no Brasil trouxe consigo problemas graves, visto que ele colabora para o consumismo e reforça as desigualdades sociais.

Inicialmente, a necessidade de poucos cliques para adquirir um item favorece o descontrole financeiro. Em consonância com Bauman, vive-se a “Modernidade Líquida”, caracterizada pela constante mudança , efemeridade e hedonismo, os quais são responsáveis por incentivar os indivíduos a buscarem sempre uma nova fonte de prazer. Por conseguinte, o consumo virou uma forma de obtenção de alegria momentânea e as lojas online favoreceram o exagero desse ato, porquanto não há mais a necessidade do deslocamento, pois basta acessar um site ou aplicativo e o produto já chega em casa. Nesse sentido, o hábito de comprar artigos sem necessidade é estimulado por essa facilidade, por causa disso, as pessoas podem acabar contraindo dívidas que não são capazes de pagar.

Outrossim, esse tipo de comércio não é uma realidade para toda a população. De acordo com dados de 2020 do IBGE, 25% dos brasileiros não têm acesso à internet, dentre os quais, 41% alega não usá-la por não ter os conhecimento necessários. Dessa forma, os benefícios e praticidades do comércio virtual são restritos a um grupo privilegiado de cidadãos que possuem os meios físicos (celulares, computadores e dados móveis) e simbólicos (familiaridade com a tecnologia e conhecimento de informática). Dessarte, o crescimento do consumo no ambiente digital aprofunda a desigualdade do país, porque a distribuição do direito de acesso aos meios virtuais não ocorre de maneira democrática e os mais pobres ficam em uma defasagem ainda maior em relação aos mais abastados.

É mister, portanto, tomar medidas que diminuam os prejuízos relacionados à compra e venda digital. Logo, cabe ao Poder Executivo municipal proporcionar internet à população mais carente, por meio da criação de um auxílio vinculado ao Bolsa Família que funcionará como um vale que cobrirá a compra de um aparelho celular, chip de operadora e dados móveis. Ademais, os beneficiários desse programa receberão aulas de informática básica, nas quais aprenderão como acessar sites e aplicativos. Além disso, serão veiculadas propagandas de incentivo a moderação no momento da compra. Espera-se, assim, promover o acesso ao comércio virtual para os mais vulneráveis e evitar o endividamento.